
A Polícia Civil de Montes Claros concluiu o inquérito que investigou o feminicídio de Suelen Fernandes Prates, de 42 anos, ocorrido no dia 15 de agosto, no bairro Santo Amaro. O caso foi detalhado durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (25). O principal suspeito é o ex-companheiro da vítima, de 51 anos, que permanece internado em um hospital, sob escolta policial, após tentar tirar a própria vida depois do crime.
Segundo a investigação, Suelen e o suspeito estavam separados desde maio deste ano. Familiares relataram à polícia que o homem não aceitava o fim do relacionamento e passou a perseguir a ex-companheira. O inquérito apontou ainda que a relação era marcada por comportamento controlador, ciúmes excessivos e violência psicológica.
O laudo de necropsia apontou que a causa da morte foi asfixia por esganadura. De acordo com a delegada Francielle Drumond, responsável pelas investigações, o autor utilizou as próprias mãos para provocar a constrição do pescoço da vítima.
Durante a apuração, a Polícia Civil ouviu familiares, testemunhas e pessoas próximas à mulher. Os depoimentos foram considerados convergentes em relação ao histórico de abusos. “A violência psicológica ocorre através de comportamentos controladores. Quando o próprio autor impede a vítima de fazer o que ela já fazia com certo costume, quando é impedida de usar determinados tipos de roupa ou quando o autor controla os lugares que ela frequenta, isso é violência psicológica”, explicou a delegada.
A investigação também identificou indícios de perseguição. Mesmo após a separação, o homem teria ido ao local de trabalho da vítima e às proximidades da residência de familiares dela. Para a polícia, o estopim do crime teria sido o fato de o suspeito descobrir que Suelen participaria de um evento social com uma amiga, sem a presença dele.
A reprodução dos fatos apontou que o homem teria ligado para a vítima e pedido que ela fosse até a residência dele. Ao chegar ao imóvel, o portão teria sido trancado, impedindo uma possível saída. Em seguida, segundo a investigação, o suspeito praticou o feminicídio.
Após o crime, o homem teria enviado mensagens a familiares comunicando o que havia feito e afirmando que também atentaria contra a própria vida. Na sequência, disparou contra a própria mandíbula. Familiares chegaram ao imóvel, prestaram socorro e o encaminharam para atendimento médico.
“O autor foi encaminhado para o hospital em estado grave, mas a Polícia Civil representou pela prisão preventiva. Ele segue internado, mas está preso sob escolta policial. O mandado foi cumprido na última sexta-feira, aqui em Montes Claros”, afirmou Francielle Drumond.
A delegada explicou que a prisão ocorreu posteriormente porque, segundo a apuração, a ocorrência não teria chegado imediatamente à delegacia de plantão. “Provavelmente essa ocorrência não chegou na delegacia de plantão e os delegados não tomaram conhecimento imediatamente do fato”, disse.
A investigação também apontou que o suspeito teria conhecimento sobre fabricação de armas e que, provavelmente, teria produzido a arma utilizada na tentativa contra a própria vida. O telefone dele foi entregue espontaneamente pelo irmão à polícia e passou por perícia. O aparelho teria confirmado a ligação feita para a vítima e as mensagens enviadas aos familiares após o crime.
Outro ponto destacado pela Polícia Civil é que não havia registros anteriores de boletim de ocorrência feitos pela vítima relacionados à violência psicológica nem pedido de medidas protetivas. Para a delegada, o caso reforça a importância de identificar e denunciar sinais de violência antes que eles evoluam.
“O autor também praticou o crime de perseguição. Mesmo separados, ele perseguia a vítima no local de trabalho e também próximo à casa de parentes”, afirmou Francielle.
Com a conclusão do inquérito, o procedimento será encaminhado ao Ministério Público, que deverá analisar o oferecimento da denúncia. O suspeito responderá pelo crime de feminicídio, cuja pena, após alteração recente na legislação, pode variar de 20 a 40 anos de prisão.
