Obras paradas se acumulam e aumentam cobrança

Moradores cobram explicações sobre obras paralisadas, incluindo o antigo Restaurante Popular

Márcia Vieira
marciavieirayellow@yahoo.com.br
Publicado em 05/08/2026 às 19:00.
Luiz Marcos diz que obra paralisada traz incômodo e prioridades da prefeitura estão invertidas (Márcia Vieira)
Luiz Marcos diz que obra paralisada traz incômodo e prioridades da prefeitura estão invertidas (Márcia Vieira)

Um amontoado de terra no bairro Augusta Mota voltou a expor a paralisação de obras públicas em Montes Claros. Entre elas está a reforma do antigo Restaurante Popular, que, segundo a prefeitura, seria transformado em uma unidade de saúde com investimento de R$ 1,7 milhão e entregue à população em 2023. Iniciada, a obra foi interrompida e permanece sem conclusão, aumentando a insatisfação de moradores diante de sucessivos atrasos em empreendimentos anunciados pelo município.

A situação foi mostrada pela reportagem de O NORTE, que esteve no local e verificou que a placa indicando o valor empenhado e o prazo foi apagada. A prefeitura foi procurada para dar explicação, mas não informou o que foi feito do recurso e a justificativa para paralisar a obra. O mesmo acontece com a Concha Acústica, no bairro Morada do Sol, anunciada em 2024. Dois anos depois, a obra já recebeu cinco aditivos com prorrogação de prazo.

Esta semana, moradores do bairro Augusta Mota, na zona sul da cidade, vieram a público reclamar de mais um serviço iniciado e abandonado pela Prefeitura de Montes Claros há aproximadamente dois meses. A reportagem esteve no local e questionou moradores se eles teriam sido informados de cronograma relacionado à obra, mas nenhum deles recebeu qualquer informação ou orientação sobre a intervenção na Rua Ivan José Lopes, uma das principais vias de acesso ao bairro, onde foi aberto um buraco de grande profundidade. “É uma obra que deveria ter ficado pronta há tempos. Mais de 30 dias a terra exposta e as pessoas correndo risco de acidente. Além da terra, um caminhão constantemente parado impede a visibilidade”, diz Guilherme Sizílio, residente nas proximidades.

Carlos Ernesto está no bairro há sete anos e diz que a interdição trouxe inúmeras dificuldades aos moradores. “Fizeram um buracão, amontoaram a terra e sumiram. Agora mandaram gente para cá, mas a obra está mal direcionada. A rua crítica é a Ronald Carvalho Freire e, se eles não fizerem obra no quarteirão acima, o problema de alagamento vai persistir e piorar”, disse.

“Passo por aqui diariamente. Muito tempo largado isso aqui. É um descaso do poder público, um monte de terra impedindo a passagem e, enquanto isso, o município investindo recurso público em pista para empinar moto”, disse Luiz Marcos Pessoa, morador do bairro. Ele avalia que as prioridades estão invertidas e, se o município quiser resolver o problema de motociclistas utilizando as vias de trânsito para manobras, é preciso fazer uma fiscalização e não gastar dinheiro com a pista de grau. “A pista não vai impedir nada. Eles sabem onde acontece, basta querer coibir. Esse dinheiro (mais de R$ 100 mil) poderia ser usado para a saúde, a educação. Eu tenho plano de saúde, mas vejo perto de mim pessoas que não têm e ficam até mais de um ano na fila, esperando um exame”, desabafou.

A reportagem solicitou à Prefeitura de Montes Claros esclarecimentos sobre a causa da paralisação e o prazo para a conclusão da intervenção, porém, até o fechamento da edição, não houve nenhuma explicação do município.

Compartilhar
Logotipo O NorteLogotipo O Norte
E-MAIL:jornalismo@onorte.net
ENDEREÇO:Rua Justino CâmaraCentro - Montes Claros - MGCEP: 39400-010
O Norte© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por