
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) apresentou, em coletiva de imprensa realizada na última terça-feira (3), o encerramento das investigações sobre um caso de tortura que deixou um jovem de 21 anos com lesões severas em Montes Claros, no Norte do estado. A apuração foi conduzida pela equipe da 1ª Delegacia de Polícia Civil e resultou na prisão preventiva de uma mulher de 33 anos, apontada como autora do crime.
O caso foi registrado em novembro do ano passado, após a vítima procurar a polícia e relatar que teria sido agredida pela ex-namorada, também de 21 anos, com o uso de ferro de passar roupas aquecido e chapinha de cabelo. O jovem apresentava marcas de agressões por todo o corpo e, em razão das queimaduras de alto grau, permaneceu internado por cerca de 20 dias em um hospital da cidade. À época, ele não contou o ocorrido à família, alegando medo das ameaças que dizia sofrer.
Segundo a PCMG, inicialmente a vítima apresentou um depoimento bastante emocionado e com contradições. Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão na residência da ex-namorada e do atual companheiro dela, apontado como coautor das agressões. A vítima relatou que, ao ir à casa da ex para buscar pertences pessoais, teria sido agredida pelo homem e amarrada a uma cadeira, enquanto a ex-namorada o queimava com ferro e chapinha.
No entanto, com o avanço das diligências, análise de aparelhos celulares, acareações e oitivas de testemunhas, incluindo a atual namorada da vítima, também de 33 anos, os investigadores passaram a identificar inconsistências na versão apresentada. A polícia levantou, então, a hipótese de que a narrativa inicial teria sido criada para ocultar a verdadeira autoria do crime.
Em novo depoimento, após ser informada de que a polícia estava ali para garantir sua proteção, a vítima confessou que as agressões foram cometidas, na verdade, pela atual namorada, com quem se relacionava desde outubro. Todos os envolvidos trabalhavam na mesma empresa em Montes Claros.
“Em janeiro, nós recebemos a notícia por meio da vítima, com o envio de fotografias nas quais ele apresentava várias partes do corpo queimadas por ferro de passar roupas e chapinha de cabelo. A partir disso, iniciamos as investigações para identificar quem teria praticado essa tortura”, explicou a delegada Monique Bicalho.
De acordo com a delegada, após o cumprimento de mandados e a apreensão de celulares dos primeiros suspeitos, a participação deles foi descartada. “Conseguimos apurar a verdadeira autoria. A responsável pela tortura é a atual namorada da vítima, uma mulher de 33 anos, natural do estado de São Paulo, que residia em Montes Claros há cerca de seis anos”, afirmou.
As investigações apontam que a autora mantinha o jovem sob constantes ameaças, inclusive de morte contra familiares, para impedir que ele revelasse a verdade. “A vítima confirmou que era torturada de forma consecutiva por aproximadamente vinte dias, com queimaduras provocadas pelo ferro de passar e pela chapinha. As agressões não eram consentidas e ocorreram em um contexto de extrema violência física e psicológica”, destacou a delegada.
Durante as buscas, a polícia encontrou o ferro de passar utilizado nas agressões escondido no baú da cama, além de várias chapinhas de cabelo. Também foi constatado que a suspeita possui antecedentes criminais e responde por um homicídio ocorrido em São Paulo, no qual um ex-namorado teria sido morto com um golpe de faca.
A motivação do crime, segundo a PCMG, estaria relacionada a ciúmes e ao controle da vida da vítima. As agressões começaram com tapas e socos e evoluíram gradualmente, tornando-se cada vez mais severas. A mulher foi presa preventivamente e permanece à disposição da Justiça. O inquérito policial deve ser concluído nos próximos dez dias, com possível indiciamento pelos crimes de tortura qualificada, denunciação caluniosa e ameaça.
