
Desde o ano de 2023, a Festa de Santos Reis em Montes Claros é reconhecida pelo Estado de Minas Gerais, por meio de Lei, como Patrimônio Cultural Imaterial. A iniciativa foi de autoria da deputada Leninha e marca a tradição centenária que atrai milhares de fiéis à Paróquia localizada no Bairro Santos Reis no dia 6 de janeiro, data em que se celebra a visita dos Três Reis Magos, Baltazar, Gaspar e Melchior (Belchior), os “Santos Reis”, ao menino Jesus, guiados pela estrela de Belém. A data, também conhecida como “Epifania do Senhor”, encerra o ciclo de Natal e cada município mantém as comemorações à sua maneira, incluindo cultura popular, ritos e expressões culturais e religiosas.
Para o padre Wagner Eduardo Dias, responsável pela paróquia, a comemoração é um momento de encontro entre fé, cultura e comunidade. “Mais do que uma celebração religiosa, a Festa de Santos Reis é um patrimônio vivo, construído pelo povo e transmitido de geração em geração. Ao completar 94 anos, a Festa de Santos Reis segue cumprindo o seu papel de preservar a memória, fortalecer a fé e manter viva uma tradição que faz parte da identidade cultural do município”.
Nesta terça-feira (6), a programação na Paróquia Santos Reis começa com uma alvorada, às 5h. Às 7h, acontece a Santa Missa com Foliões e Pastorinhas, celebrada pelo Cônego Oswaldo Gonçalves. Às 10h, Santa Missa com Padre Geraldo Magela, às 15h haverá a Santa Missa, celebrada pelo Padre André Henrique. Às 18h, Reza do Terço e Oração aos Santos Reis, às 18h30, Procissão com os Andores e às 19h30, a Santa Missa celebrada por Dom José Alberto Moura.
DEVOÇÃO
A organização dos festejos é de responsabilidade da comunidade e os fiéis vêm de todos os bairros. Uma delas é a médica Raquel Muniz, que há muitos anos participa da celebração religiosa e destaca que a data é muito especial. “Participo todo ano da procissão dos Santos Reis, levo a oração e um tercinho, que distribuo entre os fiéis. Além disso, mantenho a tradição de comer a romã nesta data”, diz Raquel. A tradição da romã foi incorporada à cultura pela sua representação de prosperidade, abundância e proteção.
Outros carregam no nome a devoção aos santos. “Não sei ao certo quem iniciou a tradição, mas na minha família tivemos várias pessoas com o nome em homenagem aos reis magos. Meu nome é Gaspar que é o mesmo nome do meu avô, meu pai se chama Baltazar dos Reis e o ‘Reis’ não é sobrenome de família, é por causa dos Santos. E o meu tio avô era Belchior. Meu pai era muito apegado ao meu avô, que faleceu quando ele tinha oito anos, e manteve a promessa de dar continuidade a essa tradição em honra aos Reis Magos”, conta o médico Gaspar Rodrigues de Siqueira Neto.
