
Durante uma palestra sobre violência contra a mulher em uma escola estadual em Montes Claros, uma menina de 12 anos denunciou seu pai adotivo, de 55 anos, por abuso sexual. Ele a violentava desde os sete anos. A denúncia resultou na prisão em flagrante do suspeito na última segunda-feira (17), ao tentar buscar a criança na escola.
A subinspetora da Polícia Civil de Montes Claros, Sabrina Santos Pereira, que participava do evento em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, no último dia 14 de março, notou o comportamento nervoso e angustiado da aluna durante sua fala. Preocupada, ela questionou a diretora da escola sobre a possibilidade de monitorar a menina. Essa atenção foi crucial, por possibilitar que a criança se sentisse segura o suficiente para relatar os abusos que sofria.
“Ele foi preso em flagrante após eu ter ido até a escola conversar com a menina que relatou todos os abusos que eram cometidos”, conta a subinspetora.
Segundo informações da delegada Karine Maia, titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), a menina revelou que vinha sendo abusada sexualmente pelo pai adotivo desde os sete anos e que, a partir dos dez anos, o abuso se intensificou com relações sexuais completas. O homem adotou a menina com sua esposa e, segundo relatos, era agressivo com ambas. Os abusos ocorriam na própria residência, onde ele se aproveitava da ausência da mãe, que trabalhava fora.
Durante a sua prisão, o suspeito não demonstrou nenhuma reação e se recusou a fornecer material genético para exames de DNA. A delegada Karine ressaltou não haver indícios até o momento de que a mãe estivesse ciente dos abusos ou fosse conivente com eles.
Os relatos da criança revelam um ambiente controlado e opressivo. “Ela era proibida de brincar com outros alunos após as aulas e forçada a vestir roupas masculinas. Ele chegou a cortar seu cabelo curto sob o pretexto de tratar piolhos. Além disso, havia uma rotina rigorosa em que ele buscava a menina mais cedo na escola para garantir que tivesse tempo para abusar dela antes da chegada da mãe. Essa criança chegou a desabafar com dois colegas da escola, mas não teve coragem de procurar as autoridades”, explicou a delegada.
O crime denunciado é classificado como estupro de vulnerável, com pena prevista de reclusão entre oito e 15 anos, podendo aumentar devido à relação parental entre vítima e perpetrador. A delegada Karine observou que cerca de 70% dos casos de estupro apurados na DEAM ocorrem no ambiente doméstico.
Recentemente, a Polícia Civil de Minas Gerais lançou o projeto “PCMG por Elas”, visando fortalecer as ações voltadas para a proteção das mulheres e crianças vítimas de violência. A delegada enfatizou a importância dos pais estarem atentos aos sinais dados pelas crianças, pois muitas vezes elas revelam indícios do sofrimento pelo qual estão passando.