Montes Claros

Luta das pessoas com deficiência e os desafios do dia a dia

Apesar das conquistas, dificuldades e preconceito seguem sendo obstáculos

Márcia Vieira
Publicado em 22/09/2022 às 00:03.
 (ARQUIVO PESSOAL)

(ARQUIVO PESSOAL)

O 21 de setembro é marcado no calendário como o Dia Nacional da Luta de Pessoas com Deficiência. Apesar das conquistas obtidas nos últimos anos, com mais inclusão e cotas destinadas a esta parcela da população, pessoas que vivem o dia a dia das dificuldads e preconceitos seguem na luta para superar uma dos principais obstáculos: a inserção no mercado de trabalho. 

É o caso do deficiente visual José Aparecido Rodrigues Rosa. Ele conta que um dos seus maiores sonhos é trabalhar como locutor de lojas. Porém, ainda não conseguiu. 

“Aqui em Montes Claros falam que tem a vaga, mas quando ficam sabendo da deficiência, negam a oportunidade de mostrar que somos capazes. Nos ignoram e nem procuram saber se temos os nossos meios de exercer a atividade. O mesmo acontece com amigos meus que são formados. Usam sempre uma desculpa e sequer nos dão oportunidade “, diz Aparecido, que entre outras habilidades, lida bem com as plataformas digitais. 

Já Rosely Pereira da Cruz está prestes a ingressar em um órgão público como atendente. Portadora de visão monocular, condição reconhecida como deficiência desde 2021, ela conseguiu a vaga por meio da Associação de Deficientes de Montes Claros (Ademoc). 

“Tenho deficiência leve. Já passei por entrevista e vou entrar na vaga específica. Essa semana devo começar. É importante que tenha a lei para dar oportunidade a mais pessoas, avalia.
 
FALTA ESTRUTURA
Para Valcir Soares, presidente de honra da Ademoc, além do preconceito, as pessoas esbarram também na falta de estrutura física dos estabelecimentos para receber pessoas com necessidades especiais. 

“As empresas estão se conscientizando que as pessoas tem capacidade de ir ao mercado de trabalho. Temos um Banco de Talentos com vários inscritos e em torno de 100 pessoas que foram absorvidas por farmácias, supermercados, indústrias, laboratórios, enfim, mais ou menos 60 empresas nos procuram. Ainda há a dificuldade e preparo dessas empresas em relação a acessibilidade, para receber essas pessoas. Estamos sempre nos reunindo para auxiliar na conscientização e adequação”, disse Valcir.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ( IBGE), divulgados nesta quarta-feira, 21, data em que se comemora o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, apontam que a participação e formalização no mercado de trabalho é de 28,3% e 34,3%, respectivamente.  

O número é bem menor do que entre pessoas que não estão nessa condição e que representam, respectivamente, 66,3% e 50, 9%.
 
PRECONCEITO REAL 
Entre aqueles em que a deficiência não é percebida, o caminho é menos tortuoso. S. M. foi diagnosticada com espectro autista depois de ter o seu próprio negócio, mas antes disso teve outras experiências de trabalho.

“As pessoas não sabem que eu sou uma pessoa com deficiência. Só imaginam que tem ‘ algo’ depois de uma crise. Tenho hiperfoco em trabalho”, revela a empresária, confirmando que o preconceito é real quando aparente.

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