insatisfação é geral

Intervenção no parque das Mangueiras

Prefeitura de Montes Claros reduz área de preservação do local e moradores acionam MP

Márcia Vieira
Publicado em 22/08/2026 às 00:21.
Pela segunda vez ,em menos de um ano, vegetação do Nílson Espoletão é reduzida sem consulta prévia (Deborah Santos)
Pela segunda vez ,em menos de um ano, vegetação do Nílson Espoletão é reduzida sem consulta prévia (Deborah Santos)

Pela segunda vez em menos de um ano, a prefeitura de Montes Claros reduz a vegetação do Parque Nílson Espoletão, o Parque das Mangueiras, sem consulta prévia à população e/ou autorização. A denúncia é feita pelos moradores do entorno, que foram apanhados de surpresa e ao perceber a movimentação, decidiram acompanhar “ in loco” o problema. As árvores estão sendo retiradas para dar lugar à construção de arquibancadas no Estádio Juvêncio Augusto Soares, conhecido como Juvenção, cuja ordem der serviço foi assinada no dia 28 de julho. “Houve corte de árvores e tudo foi feito na calada. inclusive, no ano passado parte do terreno já havia sido tomada para fazer outra área do estádio. O que percebemos é que eles querem pegar mais terreno para alinhar o muro com a área retirada anteriormente”, observa a moradora Déborah Patrícia Santos Mota. Ela aponta que a insatisfação é geral e não houve sequer uma consulta pública ou comunicado, iniciativa que precede intervenções no meio ambiente. “O parque é muito importante para os moradores, especialmente para famílias de baixa renda que não tem como frequentar outros lugares como clubes e shoppings. Utilizamos o espaço para atividades de igreja, de escoteiro e de famílias. É o nosso espaço de convivência”, afirma. Preocupados com a intervenção e munidos de informação extra oficial de que seriam cortadas 11 árvores, os moradores entraram com uma representação no Ministério Público de Minas Gerais, para impedir que a execução avance e para obter esclarecimentos que a prefeitura não fez.

O Parque das Mangueiras, área verde localizada à avenida Leonel Beirão de Jesus, no Bairro João Botelho, é patrimônio da cidade. A preocupação dos moradores, além da questão social, é de interferência no clima. “As árvores são imprescindíveis, servem como isolante acústico, sombra e melhoram a temperatura. Nossa cidade é muito quente e eles estão diminuindo cada vez mais as áreas verdes”, lamenta Déborah. O biólogo Waldney Martins, confirma que “praticamente qualquer corte precisa de autorização de um órgão ambiental e, quanto menos árvores, maior a temperatura”.

Contradição 
No último dia 7 de agosto, em seu site, a prefeitura publicou sob o título “Natureza em construção”, um texto em que destacava a importância de educar as novas gerações com consciência ambiental. “Mais do que ensinar conceitos sobre o meio ambiente, as Oficinas da Natureza ajudam a formar uma nova geração consciente de seu papel na preservação do planeta. Ensinar nossas crianças a valorizar e respeitar a natureza é plantar, desde cedo, sementes de responsabilidade, cidadania e amor pela vida, contribuindo para a construção de um mundo melhor para todos”, diz um trecho da publicação. Na prática, o que acontece é o oposto. Para além dos moradores da região, a população usou as redes para se manifestar contrária à medida. Ivan Siqueira diz que “se cortar as mangueiras, vai ficar como a praça dos jatobás que não tem nenhum pé”. Para Vanessa Rodrigues seria mais coerente investir em um local apropriado para estádio, como no Bairro Delfino Magalhães, onde existe um buraco destinado ao estádio. “Me parece remendo em roupa velha este estádio no parque das Mangueiras”. Geyze Freitas lembra que fecharam a praça de Esportes para fazer estacionamento e agora, estranhamente, “ o esporte virou prioridade, pra arrancar mais de 10 árvores centenárias para fazer estacionamento para estádio, e a população paga o preço”. Allison Silva questiona qual a necessidade de diminuir um parque, se a própria prefeitura anunciou que a verba para construção do Mocao está liberada.

A prefeitura foi procurada para informar sobre os detalhes do projeto de ampliação do estádio, a área a ser utilizada, o corte das árvores e, caso exista, a autorização para o corte, já que não há informações públicas disponíveis. Até o fechamento da edição, não houve retorno.

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