
Na última segunda-feira (16), moradores de Montes Claros foram surpreendidos com um comunicado oficial da MocBus, consórcio que opera o transporte coletivo na cidade, dando conta de que o serviço poderá sofrer interrupção devido à falta de combustível para abastecer a frota. Com 84 ônibus em circulação e 31 linhas, a MocBus informou que enfrenta dificuldades para adquirir o combustível necessário para manter os veículos em circulação.
Segundo a empresa, o problema não é isolado e a Minaspetro, entidade privada que defende os interesses dos donos de postos de combustível em Minas Gerais, já havia alertado sobre a dificuldade de compra de diesel em todo o estado, especialmente dos tipos S10 e S500, fundamentais para o funcionamento dos veículos. O texto da nota atribui a crise à guerra no Oriente Médio, o que estaria pressionando os preços. “A situação é agravada pela alta nos preços e pelo risco de desabastecimento, cenário que gera preocupação também no setor de transportes e logística”.
O impacto, caso o fornecimento não seja normalizado, é a redução ou até suspensão de linhas de ônibus, o que afetaria milhares de usuários que dependem diariamente do transporte público para trabalhar, estudar e acessar serviços essenciais. A nota sinalizava que o consórcio estaria buscando soluções junto às autoridades, mas sem garantias, pois a continuidade do serviço depende diretamente da chegada de combustível.
RECEIO
Após a repercussão nas redes sociais, moradores manifestaram insegurança e medo de colapso no sistema. Entre as principais reclamações estão suspeitas de aumento injustificado nas passagens, falhas na fiscalização, dúvidas sobre a veracidade do comunicado e críticas à precariedade do serviço e à falta de concorrência.
Por volta das 23h da última segunda, o consórcio emitiu uma nova nota, desta vez afirmando que para esta terça-feira (17), a prestação do serviço estaria garantida. “O Consórcio MocBus vem novamente a público informar que, apesar das dificuldades enfrentadas na aquisição do diesel, conseguimos, com o apoio do Município, garantir a operação do transporte público em Montes Claros em 17/03/2026. Reforçamos que estamos trabalhando intensamente para garantir a continuidade da operação nos próximos dias e minimizar os impactos dessa crise na aquisição de combustíveis, para assim, não afetar a rotina dos usuários”.
Em contato com a reportagem, João Neto, gestor de comunicação e marketing da empresa, confirmou que há duas semanas já estava em dificuldade com as transportadoras para adquirir o diesel e os preços aumentaram de maneira exorbitante. “Da semana passada para ontem, isso foi agravado devido à guerra no Oriente Médio, que está dificultando a importação. Temos o fator preço alto e agora a escassez. Os nossos postos, que funcionam nas duas empresas do consórcio, não estavam com abastecimento total, por isso emitimos a nota”, disse João, destacando que o município assegurou que privilegiaria o abastecimento da frota. “Vamos trabalhar por etapas. Hoje conseguimos regularizar e estamos trabalhando para manter isso nos próximos dias”, disse. Quanto a um possível aumento de tarifa, ele disse que não procede a suposição, uma vez que o Ministério Público impediu qualquer aumento e a questão está judicializada.
Procurada, a assessoria de comunicação da Minaspetro afirmou que a entidade está enfrentando a crise há algum tempo, que as distribuidoras estão restringindo a compra de produtos para os revendedores e, quando têm, majoram os preços. Questionado sobre a cadeia integrada de distribuição e revenda e se o decreto presidencial (12.876/26) que reforça fiscalização e combate a preços abusivos no setor teria impactado na ocorrência atual, a assessoria disse que, “do refino ao varejo, o mercado é livre. Não tem preço mínimo. O decreto estabelece uma venda pelas distribuidoras, de preço tabelado. As importadoras de diesel puro, se elas importarem, terão um subsídio do governo e um teto para vender para os postos. Isso não está no elo do varejo”. Sobre as falas de uma possível retenção do produto para aumentar preços posteriormente, a assessoria negou. “A crise está grave. Postos de bandeira branca estão secos. Não monitoramos estoques, mas o dono do posto quer vender. As distribuidoras é que estão retendo”.
Por meio de nota, a Prefeitura de Montes Claros informou que acompanha atenta a situação e “desde os primeiros sinais, a Administração Municipal atua preventivamente e em diálogo com o Consórcio MocBus e demais envolvidos, adotando medidas para garantir a continuidade do transporte coletivo” e “tranquiliza os usuários de que todas as providências estão sendo tomadas para minimizar impactos e assegurar a mobilidade urbana”.
