Risco urbano

Escorpiões lideram ocorrências e acendem alerta em Montes Claros

Márcia Vieira
Repórter
Publicado em 12/02/2026 às 19:00.
Flávia Cardoso acredita que animais possam ter vindo dos ralos e observar o ambiente evitou acidente (Márcia Vieira)
Flávia Cardoso acredita que animais possam ter vindo dos ralos e observar o ambiente evitou acidente (Márcia Vieira)

A presença de animais peçonhentos como escorpiões, aranhas e serpentes em áreas urbanas tem aumentado no Norte de Minas, de acordo com o Núcleo de Vigilância Epidemiológica Hospitalar (NUVEH), do Hospital Universitário Clemente de Faria (HUCF), referência nesse tipo de ocorrência em Montes Claros.

Em 2025, foram registradas 3.337 notificações. Os acidentes com escorpião lideram os atendimentos, com 2.711 casos. O restante corresponde a acidentes com cobras (109), aranhas (82), insetos desconhecidos ou outros (46), abelhas (34), marimbondos (16) e lagartas (16). Os dados trazem ainda o registro de acidentes com morcegos (45), ocorrências com primatas (5), animais silvestres (4) e ratos (3). Os bairros com maior registro de acidentes com escorpião foram Santa Eugênia, com 302 casos, Jardim São Geraldo, com 267, e Nossa Senhora das Graças, com 262 ocorrências.

Há ainda os casos subnotificados, aqueles em que as vítimas não chegaram a procurar o hospital e por isso não entram na estatística. Bairros que não aparecem entre os primeiros também não estão livres do risco. A advogada Wannessa Aquino se enquadra nessa situação. Moradora do Ibituruna, ela foi picada por escorpião enquanto cuidava das plantas no quintal da residência. “Me assustei quando senti uma picada, parecia uma agulhada. Quando olhei para baixo, vi que havia sido picada no pé por um escorpião amarelo e pequeno. Como eu estava sozinha, e a dor continuava irradiando para a perna, eu liguei para o SAMU e solicitaram que eu ligasse no corpo de bombeiros”, conta.

Na ocasião, ela foi orientada por telefone sobre o que fazer. “Perguntaram se eu estava com náuseas, vômito, batimentos acelerados, ou alguma dificuldade para respirar, mas eu só estava com dor e uma espécie de queimação na perna, então me indicaram ingerir bastante água e entrar em contato novamente caso apresentasse algum outro sintoma, além de indicar o uso de compressa de água no local da picada”, disse a advogada. A partir do ocorrido, ela passou a utilizar EPIs ao lidar com as plantas. “Eu estava descalça e, depois disso, passei a cuidar das plantas e gramado com calçado adequado. Inclusive, adquiri o hábito de usar galochas e luvas”, acrescenta.

Nem só de plantas vivem os peçonhentos. Eles podem se esconder em roupas, sapatos, ralos, frestas, terrenos baldios e lugares com acúmulo de lixo e entulho. O perigo aumenta principalmente durante o período chuvoso, quando eles deixam seus esconderijos alagados e partem em busca de abrigo.

A diarista Flávia Cardoso conta que já se deparou com uma cobra de pequeno porte e escorpiões, quando exercia sua atividade em um condomínio. “Acho que devem ter vindo do ralo. Tomei um susto, a sorte é que eu sempre olho com atenção o ambiente. Animais peçonhentos são silenciosos e a qualquer momento podem aparecer”, diz, ressaltando que quando percebe o aumento de insetos e outros bichos, comunica à síndica, para o espaço receber dedetização. Flávia diz ainda que em sua casa mantém o hábito de observar o ambiente, fechar os ralos e sacudir roupas e sapatos, ao presenciar uma vizinha em desespero correndo para o hospital após ser picada por escorpião. Todos os hábitos de Flávia estão em consonância com o que é recomendado por especialistas. Em caso de ataque, a indicação é de que o local da picada seja lavado com muita água e sabão e a vítima deve procurar atendimento médico o mais rápido possível.

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