
Seis meses após receber uma multa de R$ 200 mil, aplicada pela 1ª Vara Empresarial e de Fazenda Pública do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por descumprir o acordo judicial que determina a regularização dos Centros de Apoio Simplificado aos Carroceiros (CASCOs), a Prefeitura de Montes Claros ainda não solucionou o problema.
Para existir, os espaços devem cumprir exigências, como fazer o cercamento da área a ser utilizada, colocar piso impermeabilizado, controlar o tipo de resíduo descartado, retirar periodicamente esse material, ter o licenciamento ambiental e manter fiscalização rotineira. Entretanto, até o momento, apenas um, dos 11 CASCOs, o que está no bairro Ibituruna, foi parcialmente regularizado.
Os outros seguem irregulares e com lixo acumulado, como o CASCO que fica entre os bairros Major Prates e Chiquinho Guimarães. O espaço chama a atenção de quem passa por lá e incomoda os moradores, que procuraram a reportagem para denunciar a situação. Uma delas, que transita semanalmente pela Avenida para chegar ao supermercado, contou que passar a pé pelo local é arriscar pisar em animal peçonhento, pois o lixo já chegou à rua. “Não adianta ter asfalto e não ter limpeza urbana”, diz. A reportagem foi até o local e confirmou as denúncias. Além do lixo descartado, várias poças com água parada, suja e fétida dominam o espaço.
A servidora pública L. S. relata que o lixo jogado naquela região, sem o devido cuidado, está causando inúmeros transtornos para quem reside nas proximidades. “Quem utiliza a via pública disputa lugar com o lixo, ratos, insetos e animais peçonhentos que colocam em risco a vida da população, que não tem escolha e é obrigada a conviver com o caos”.
Ela afirma ainda que o filho recentemente teve dengue e não descarta a possibilidade de a contaminação ter vindo do lote. Conforme a servidora, é dever das autoridades públicas zelar e fiscalizar o uso e ocupação do solo. “Nesse sentido, a atual administração está deixando a desejar. O pior de tudo, é que alguns populares e carroceiros irresponsáveis contribuem para esse caos. Mas, cabe à prefeitura fiscalizar e manter a ordem dos espaços urbanos. Fica o nosso apelo, como bons cidadãos e pagadores de impostos, de que a prefeitura realize o seu trabalho”, declara.
Outros moradores ainda comentam que o mau cheiro chega às suas casas e, quando chove, a água se espalha e mistura com o lixo, tornando o ambiente insustentável e perfeito para desenvolver doenças.
Não muito distante, há um CASCO no Bairro Canelas, que em 2025 foi alvo de um incêndio de grandes proporções. Na ocasião, a ocorrência mobilizou o Corpo de Bombeiros por mais de cinco horas e o cheiro da fumaça demorou dias a se dissipar.
Procurada para informar sobre a regularização dos CASCOs, a prefeitura, por meio de nota, informou que “está investindo pesado para regularizar a situação dos CASCOs em Montes Claros. Além do CASCO Modelo (Ponto Certo), já inaugurado no Ibituruna, está quase concluído o Ponto Certo do Canelas (um dos pontos mais críticos da cidade), e outros serão construídos ainda neste ano. O objetivo é não só atender à exigência do Ministério Público, mas principalmente garantir o manejo adequado e sustentável dos resíduos sólidos na cidade, respeitando a saúde pública e preservando o meio ambiente”.
Quanto à multa aplicada, o município informou que a situação teve início em 2014, entretanto, a data em que a Justiça julgou a ação procedente corresponde ao ano de 2017. Na ocasião, o atual prefeito, Guilherme Guimarães, era secretário de infraestrutura do então gestor, Humberto Souto. A reportagem esteve também no Bairro Canelas e encontrou situação semelhante à do Major Prates, com lixo acumulado. Esse espaço localizado na Avenida Manoel Caribé Filho, continuação da Avenida Vicente Guimarães, é o endereço informado no portal oficial da Prefeitura como Casco e onde os carroceiros estão depositando o lixo.
