O pelotão policial da praça central do bairro Maracanã, em Montes Claros, foi fechado na manhã desta terça-feira (7), surpreendendo moradores da região. A desativação já havia começado a circular nas redes sociais na noite de segunda-feira (6).
Ênio Pereira, presidente da Associação de Moradores do bairro, disse que, assim que soube dos boatos, solicitou uma reunião de moradores com a polícia local para as 10h da manhã seguinte. “Mas antes mesmo do horário marcado para a reunião, um caminhão parou na porta bem cedinho e retirou tudo. Ficamos sem entender. Aparentemente, a intenção era fechar antes que os moradores pudessem interferir”, relatou.
Morador do Grande Maracanã há vários anos, Ênio conta que aproximadamente 16 bairros estão integrados à região e dependem do policiamento. “A presença do pelotão fez com que os moradores voltassem a frequentar a praça. Temos uma feirinha que acontece toda semana, aulas de zumba, tem a igreja. Nosso sentimento agora é de insegurança e incerteza”, disse. O representante dos moradores diz ainda que um eventual episódio que necessite de intervenção obrigaria os residentes a percorrer longas distâncias para registrar ocorrência. Além disso, ressalva, a falta de comunicação foi um ato de desrespeito à população. “Não houve um comunicado ou uma conversa. Foi um impacto grande”.
O imóvel, construído por moradores, abriga uma subprefeitura. Embora fique aberta no período da manhã, a subprefeitura, conforme os moradores, só existe no papel. “Os mais antigos contam que não precisavam se deslocar até a prefeitura para resolver as burocracias. Por aqui, tudo funcionava, havia um representante de cada secretaria, senão, das secretarias principais. E agora que a prefeitura ficou mais distante, não temos nada aqui. Imagina ter que sair do Maracanã, atravessar a cidade e ir perto do aeroporto para resolver um problema. É desgastante”, lamenta Ênio.
O presidente da Associação afirma que não sabe o que será feito do imóvel, mas reitera que a falta de policiamento, aliada ao esvaziamento do espaço, não é uma situação confortável. “Em nome dos moradores, nós pedimos que seja colocado aqui algum policiamento, talvez até da Guarda Municipal. Não podemos permanecer na insegurança”. Questionado se já havia procurado o Executivo ou Legislativo, Ênio declarou que o assunto chegou a eles e espera uma atitude, especialmente dos vereadores que se colocam como representantes daquela região. A reportagem entrou em contato com os dois poderes para questionar a situação.
O presidente da Câmara Municipal, Junior Martins, afirmou que alguns parlamentares se reuniram com representantes da segurança pública local para tentar reverter a situação, porém, ainda não se chegou a uma decisão. Quanto à Prefeitura Municipal, questionada sobre diálogo com o governo e sobre o não funcionamento da subprefeitura do bairro, não houve resposta até o fechamento da edição. Contactamos o Governo do Estado e a Secretaria de Segurança Pública para saber o que motivou a decisão. Por meio de nota, o órgão respondeu que, “em atenção à demanda apresentada, a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), por meio do 50° BPM, informa que as adequações logísticas e operacionais implementadas na área do Grande Maracanã integram o planejamento ordinário do policiamento ostensivo e não implicam, de maneira alguma, a interrupção do atendimento ou da prestação do serviço policial à comunidade local”.

