Imposto de Renda

Contribuintes podem destinar parte do IR para projetos locais

Vanessa Araújo
vanraraujo@gmail.com
Publicado em 22/05/2026 às 19:00.
As mulheres atendidas pela corrente do amor recebem cursos e treinamentos de forma gratuita (Divulgação)
As mulheres atendidas pela corrente do amor recebem cursos e treinamentos de forma gratuita (Divulgação)

Com o prazo para a entrega da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) se encerrando em 29 de maio, contribuintes que utilizam o modelo completo ainda podem destinar até 3% do imposto devido para instituições sociais, sem custo adicional. A doação é feita diretamente no sistema da Receita Federal, durante o preenchimento da declaração, e o valor que iria para a União passa a financiar projetos sociais cadastrados. A destinação pode ser feita diretamente no formulário da declaração. 

Em Montes Claros, uma das instituições aptas a receber os recursos é a Fundação Sara, referência no acolhimento a crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer. Entre as famílias atendidas está a do pequeno Rael Lacerda, de apenas quatro anos. Morador de Divisa Alegre, a quase 400 quilômetros de Montes Claros, ele começou a apresentar sintomas que pareciam comuns da infância, como cansaço e falta de ar. Depois de passar por diferentes cidades em busca de atendimento, veio o diagnóstico de leucemia.

O pai, Rafael Lacerda, lembra da dificuldade enfrentada até conseguir atendimento especializado. Segundo ele, a ausência de estrutura médica na região aumentou ainda mais a angústia da família. Foram três meses de internação contínua, período em que decidiu permanecer ao lado do filho dentro do hospital. “Depois de iniciar o tratamento e depois que comecei a dormir lá, ele melhorou: hoje o Rael anda, se alimenta, interage e brinca”, relatou.

Para a família, o apoio da Fundação Sara foi determinante durante o tratamento. “A gente entra numa situação que nem sabe o que é, fica perdido. O fato de ter a Fundação nos dá um norte”, afirmou Rafael. A mãe de Rael, Maria da Glória, também faz um apelo para que mais pessoas utilizem a destinação do Imposto de Renda como forma de ajudar outras famílias. “Doar é fundamental porque, na caminhada terrena, é um ajudando o outro”, disse.

Outra instituição que pode ser beneficiada pelas doações do Imposto de Renda é a Corrente do Amor, organização que atua há mais de 20 anos com famílias em situação de vulnerabilidade social, mulheres vítimas de violência, crianças e adolescentes. O trabalho começou de forma espontânea, a partir de uma mobilização liderada por Lidinalva Fernandes, no bairro Ceanorte, para ajudar um homem em tratamento contra o câncer. As doações recebidas foram além da necessidade inicial e acabaram sendo compartilhadas com outras famílias da comunidade, dando origem ao projeto social.

Desde então, a instituição ampliou sua atuação e passou a desenvolver ações permanentes de assistência e prevenção. Atualmente, a Corrente do Amor mantém parceria com o programa Mesa Brasil e realiza distribuição de alimentos para famílias em situação de vulnerabilidade, além de promover rodas de conversa, oficinas, cursos e atividades socioeducativas.

Há mais de cinco anos, a Corrente do Amor também recebe recursos por meio da destinação do Imposto de Renda. Segundo a fundadora, os valores arrecadados são direcionados principalmente para os projetos de prevenção e enfrentamento das violências que atingem crianças e adolescentes. “A gente trabalha não só o abuso sexual, mas também a violência digital, o bullying e a violência contra a mulher. Esse recurso do Imposto de Renda fortalece justamente essas ações de prevenção, acolhimento e orientação das famílias”, destaca Lidinalva.

CULTURA
Além das instituições sociais, os contribuintes também podem destinar parte do Imposto de Renda para projetos culturais aprovados por leis de incentivo. Um dos exemplos em Minas Gerais é o documentário sobre o violeiro e artesão Zé Coco do Riachão, personagem importante da cultura popular do Norte de Minas. O projeto, dirigido pela cineasta e professora Andrea Martins, está aprovado para captação por meio da Lei Rouanet e busca preservar a memória e o legado artístico do músico, reconhecido pela habilidade artesanal na construção de instrumentos e pela contribuição à música regional.

No caso da Lei Rouanet, a doação precisa ser realizada dentro do ano-calendário referente à declaração do Imposto de Renda. Ou seja, para abatimento no IR de 2026, a contribuição deve ter sido feita ao longo de 2025. Pessoas físicas que fazem a declaração no modelo completo podem deduzir até 6% do imposto devido ao apoiar projetos culturais aprovados pelo Ministério da Cultura. Empresas tributadas pelo lucro real também podem participar, dentro dos limites previstos em lei. A contribuição é feita diretamente na conta oficial do projeto aprovado, mediante recibo de mecenato, documento utilizado para comprovar a dedução fiscal na declaração.

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