
Cerca de duas horas de chuva na noite de segunda-feira (23) expuseram problemas estruturais em Montes Claros, com alagamentos em ruas, casas e espaços públicos. No Ginásio Poliesportivo Tancredo Neves, uma partida de vôlei foi interrompida após goteiras deixarem a quadra molhada e causarem a queda de um jogador. Bairros como Morada do Parque, Edgar Pereira, Santa Rafaela, Santo Inácio e Santa Rita também foram afetados, e, nesses dois últimos, pessoas ficaram presas em veículos devido à enxurrada.
Moradores cobram solução para o trecho interditado da Avenida José Corrêa Machado, onde um lado da pista desabou e segue sem obras. A interdição dificulta o acesso e traz riscos, segundo relatos de quem passa pelo local.
A Avenida Antônio Lafetá Rebello e a Praça da Igreja Rosa Mística, no bairro São Luiz, continuam sendo dois pontos de grande sensibilidade no período chuvoso. Não foi diferente desta vez. Farley Pinheiro ressalta que “toda vez que chove, a história se repete na Avenida e a prefeitura não faz nada para melhorar”. Brenno Fagundes conta que mora na parte alta do bairro, “mas fiquei preocupado com os que moram embaixo, porque sei que sempre alaga”. Outro morador revela que “as encostas da Antônio Lafetá estão desmoronando, assim como aconteceu na José Correa Machado. Já na Igreja Rosa Mística, pessoas assistiram à missa de segunda-feira na água”.
VULNERABILIDADES CRÔNICAS
A reportagem ouviu o professor Ricardo Henrique Palhares, do Departamento de Geociências da Unimontes e coordenador do Curso de Bacharelado em Geografia, sobre situações estruturais. Conforme o professor, a interação entre infraestrutura urbana e eventos como índices pluviométricos altos ou por longos períodos revela vulnerabilidades crônicas em muitas cidades brasileiras, especialmente em áreas com córregos canalizados e ocupação periférica. Problemas recorrentes, desta ou Ricardo, incluem enchentes localizadas, obstrução de drenagem, assoreamento, danos ao pavimento e riscos à segurança pública.
Para locais como a Avenida Antônio Lafetá Rebello, bairro Santa Rita e outros, ele sugere um diagnóstico imediato e preciso, focando “a canalização do córrego sem capacidade adequada para eventos intensos; acúmulo de lixo e sedimentos, que reduz a seção útil do canal; a impermeabilização do solo urbano (avenida) aumentando o escoamento rápido; e claro, as ocupações e interferências na margem que limitam áreas de retenção (área construída)”, pontua. Todos esses fatores, conforme o especialista, geram impactos como os presenciados atualmente. As consequências são de danos à infraestrutura viária e rede elétrica, erosões, risco estrutural de canalização, muitas antigas, e prejuízos sociais e econômicos para moradores. “A solução imediata para locais como Avenida Antônio Lafetá Rebello e outros trechos canalizados passa por um conjunto ordenado de ações de diagnóstico, desobstrução e medidas provisórias hidráulicas e de proteção social. Essas medidas reduzem impactos de curto prazo e fornecem condições para projetos que integrem engenharia, planejamento urbano e intervenções socioambientais”, explicou.
MAIS OCORRÊNCIAS
A zona rural e distritos também foram afetados. Em Nova Esperança, uma casa precisou de escoramento e o morador foi retirado pela Defesa Civil; dois postes apresentam risco de queda. Em Cabeceiras, houve destelhamentos, queda de muro e danos após árvore atingir a rede elétrica. Na MG-308, uma árvore bloqueou parcialmente a pista.
A Prefeitura de Montes Claros foi questionada sobre a paralisação da obra na Avenida José Corrêa Machado e os prazos para solução dos problemas, mas não respondeu até o fechamento da edição.
