
O cenário encontrado nos cemitérios de Montes Claros é alvo de reclamações constantes de moradores. Há cerca de uma semana, um motorista de aplicativo que conduziu uma família ao local aproveitou a viagem para visitar o túmulo do pai, sepultado naquele espaço público. “A minha intenção era fazer uma oração à beira da sepultura. Quase nunca consigo vir e aproveitei que já estava aqui. Mas tive muita dificuldade para caminhar até o túmulo, mesmo usando bota. O corredor está tomado pelo mato e não tem jeito de não pisar nas sepulturas”, disse.
Esta semana, a reportagem visitou o cemitério Parque Jardim da Esperança, no bairro Antônio Pimenta, e confirmou problemas relatados por visitantes. O acesso aos túmulos está dificultado por mato e bloqueios, há túmulos abertos e estruturas danificadas, representando risco à segurança. O local apresenta grande quantidade de mosquitos, incluindo o Aedes aegypti, aumentando o risco de doenças. A limpeza, organização e segurança das áreas comuns são responsabilidade do município, conforme a legislação. O descaso prejudica a saúde pública e fere a lei.
A Lei Municipal n°3.800/2007, que regulamenta a administração dos cemitérios, não é explícita quanto à possibilidade do uso de herbicidas na contenção do crescimento de vegetação, mas a prática é adotada em municípios mineiros como Itabira e Buritis, que incorporaram a medida como política pública. Em contato com o engenheiro agrônomo Lucas Leocádio, que tem atuação no setor de manutenção e preservação de áreas públicas, ele ressaltou que em espaços como calçadas e logradouros públicos, o uso do produto é proibido, mas há exceção para áreas privadas e fechadas, que podem utilizar o herbicida com controle rigoroso para evitar impacto ao meio ambiente e/ou à saúde. “Há espaço para essa aplicação da exceção no cemitério, porque o espaço é murado, tem portão, horário de funcionamento, então pode ser restringido o acesso no período de segurança determinado para a utilização do produto, diferentemente de uma praça, que não tem controle de acesso”, explicou Lucas.
A Secretaria de Comunicação da Prefeitura foi procurada para informar sobre a periodicidade e método utilizado na limpeza dos cemitérios públicos. Foi também questionada a respeito da situação encontrada, mas não respondeu à solicitação.
