Montes Claros

Cadeirantes protestam contra ônibus sem acessibilidade

Veículo da linha 3302 circulava com elevador quebrado

Márcia Vieira
marciavieirayellow@yahoo.com.br
Publicado em 15/09/2026 às 19:14.
Marcus Antônio fez protesto em virtude da precariedade dos veículos de transporte coletivo. PcDs enfrentam periodicamente a situação (Redes sociais)
Marcus Antônio fez protesto em virtude da precariedade dos veículos de transporte coletivo. PcDs enfrentam periodicamente a situação (Redes sociais)

O que deveria ser apenas mais um deslocamento do transporte coletivo urbano terminou em protesto, presença da polícia e promessa de ação judicial. O servidor público aposentado e cadeirante, Marcus Antônio Lopes, o Marquinhos da Policlínica, relatou ao O Norte que, por volta das 9h, tentou pegar um ônibus no bairro Facela/Jardim Primavera, para ir ao centro resolver burocracias, mas já de início se deparou com um coletivo cujo elevador estava quebrado. O problema ocorreu em um ônibus da linha 3302. Ele então desistiu e aguardou pelo próximo veículo, mas antes avisou ao motorista para pedir à empresa a substituição do carro, já que teria que fazer o trajeto mais de uma vez no dia, e, além dele, existem outras pessoas com deficiência (PcDs) na região. “Eu também entrei em contato com a MCTrans e informei o problema. Esperei o próximo carro e fui. Mais tarde, na praça Dr. Carlos, tive uma surpresa, pois novamente o veículo quebrado. Ou seja, não fizeram a troca”, disse.

Diante da situação, Marquinhos conversou com a motorista e solicitou que a empresa fosse acionada. Como não houve solução, ele e Lucas Ferreira, também cadeirante que enfrenta, quase que diariamente, o mesmo impedimento para utilizar o coletivo, se colocaram na frente do ônibus, impedindo que o veículo saísse do local. A situação terminou com a presença da polícia, que foi acionada pela empresa. Marquinhos afirma que explicou aos agentes que o protesto era uma forma de cobrar um direito básico, o de poder utilizar o transporte público com segurança e dignidade. “Peço que se coloquem no nosso lugar. Ter que andar de cadeira de rodas debaixo do sol quente, em ruas cheias de buracos, porque o ônibus não funciona, é uma crueldade. Nós estamos simplesmente reivindicando nosso direito”, afirmou o cadeirante. A distância entre o centro da cidade e o bairro Facela é de aproximadamente 15 km, e percorrer o trajeto em uma cadeira de rodas não é recomendado, devido às barreiras urbanas e a um tempo estimado de 2 a 3 horas.

Após orientação de um advogado, os cadeirantes deixaram o local e foram registrar um boletim de ocorrência. A próxima atitude, segundo Marquinhos, é buscar a justiça contra o consórcio responsável pelo transporte e o município, com a obrigação de fiscalizar. A situação, conforme o usuário, é recorrente. “Não é só um ônibus quebrado. É uma questão de respeito. Nós não pedimos para ter deficiência e ainda querem nos intimidar? O direito de ir e vir é para todos, inclusive para nós. Onde estão o Executivo, o Legislativo e o Judiciário para garantir um direito que está amparado pela Constituição e pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência?”, questionou. O ônibus deixou o local sem passageiros, já que eles haviam desembarcado e seguido viagem em outro veículo. Procurada, a Prefeitura de Montes Claros, responsável pelo transporte coletivo que utiliza o slogan de “cidade inclusiva”, respondeu, por meio de nota, que a MCTrans recebeu a manifestação, tendo sido adotadas as medidas administrativas cabíveis, conforme as normas aplicáveis. “A MCTrans reforça que realiza o acompanhamento e a fiscalização permanente do serviço, incluindo as condições dos equipamentos de acessibilidade, e que eventuais irregularidades identificadas são objeto das providências previstas na regulamentação”.

O consórcio MocBus, que opera o serviço, também enviou nota afirmando que 100% da frota operante do MocBus é equipada com elevadores e espaços reservados, conforme exigência legal. “Todos os elevadores passam por manutenção preventiva e os motoristas recebem treinamento periódico para operação do equipamento. No entanto, reconhecemos que podem ocorrer falhas pontuais no equipamento, dificuldades no embarque devido à lotação em horários de pico e barreiras na infraestrutura das calçadas/pontos, que não dependem exclusivamente do Consórcio. Cada caso relatado é apurado individualmente”. O consórcio diz ainda que está à disposição para discutir melhorias em conjunto.


 

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