A Coordenadoria da Mulher de Montes Claros promove hoje o II Seminário Municipal de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. O tema deste ano é “Saúde Mental e Violência Doméstica”. Estatísticas mostram que a maioria dos crimes – seja agressão física ou violência sexual – acontece na casa da vítima. 

O evento terá a participação de psicólogas renomadas de Brasília (DF), como Valeska Maria Zanello de Loyola. Graduada em filosofia e psicologia, ela coordena o grupo de pesquisa “Saúde Mental e Gênero”.
 
PSICOLÓGICA
“Queremos abordar não somente a violência física, mas também aquela que não é vista aos olhos (violência psicológica), muito natural na nossa cultura. É muito comum, em mulheres com transtorno de ansiedade e depressão, que elas sofram ou tenham sofrido algum tipo de violência. Outro ponto que faz com que essas vítimas permaneçam no relacionamento é o amor que elas têm, o que chamamos de ‘pedagogia afetiva’. Os homens acabam usando-as (vítimas) apenas com cunho sexual, e para elas isso é amor”, explica Valeska Zanello.
 
NA REGIÃO
O seminário tem o intuito de chamar atenção de homens e mulheres sobre a violência doméstica nas cidades norte-mineiras, onde os casos cresceram 4,4% somente neste ano – percentual maior do que o registrado em todo o Estado, 3,5%. Em Minas, “Casas Abrigo” acolhem e oferecem assistência social à vítima e a seus filhos. 

“A dificuldade da denúncia é exatamente achar que o marido/companheiro vai mudar. E a própria mulher começa a procurar justificativas para a agressão: ‘Ah, ele estava bêbado, nervoso’; ‘foi só uma vez’. E ainda tem a esperança de continuar com a família ‘feliz’, como prega a sociedade”, enfatiza a defensora da mulher Maísa Rodrigues. 

O evento começa às 8h e será realizado no Hospital Universitário. A participação é gratuita, mas é necessário pegar ingresso no site do Sympla.

Em matéria divulgada no dia 20 de novembro deste ano, O NORTE mostrou que a maioria das mulheres agredidas e violentadas é negra. 

O número de vítimas de violência sexual em Montes Claros cresceu, de janeiro a outubro deste ano, se comparado ao mesmo período de 2018. Foram 208 registros, contra 143 no ano passado. Dessas vítimas, a maioria (62%) é parda ou negra, 23% não informaram e 15% são brancas. 

“Somos discriminadas por sermos mulheres e por sermos negras. A violência, em nível nacional, não é diferente aqui. Claro que tivemos avanços nos últimos anos, mas ainda temos muito o que discutir. Um sinal positivo é que o grau de escolaridade dos negros cresceu bastante nos últimos anos, mas ainda há muita discriminação, que vem de um preconceito velado”, diz Eliisabel Rodrigues, integrante do Conselho Municipal de Igualdade Racial.