Os crimes de violência doméstica tiveram aumento de 0,73% no 1º semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2020. Segundo a Polícia Militar, Montes Claros registra, em média, 230 ocorrências de agressões a esse público por mês.

Para celebrar o “Agosto Lilás” e os 15 anos da Lei Maria da Penha, as duas corporações realizaram, nesta segunda-feira, ações em Montes Claros e nas cidades que integram a 11ª RPM e o 11º Departamento de Polícia Civil.

A última fase da operação “Maria da Penha Dia D”, que tem como objetivo contribuir para o fim da violência contra mulheres, foi realizada durante 20 dias pela Polícia Civil.

No total, 36 pessoas foram presas, sendo sete delas por descumprimento de Medidas Protetivas de Urgência.

Em Montes Claros, dois homens foram presos. Um deles, de 37 anos, fraturou o braço da ex-companheira, de 38, com quem foi casado há 16 anos. O outro suspeito, de 42, tentou matar a irmã, de 56.

Ainda durante a operação, foi cumprido mandado de busca e apreensão na casa de um sargento reformado do Exército, de 55 anos. No local foram apreendidas uma pistola 380 e 12 munições, mas o porte de arma de fogo do militar estava vencido.

O homem é investigado por ameaçar e praticar tortura psicológica contra a ex-esposa, com quem foi casado por oito anos.

A força-tarefa empregada na operação envolveu 126 visitas policiais, 92 ocorrências registradas e, ainda, deu suporte logístico a oficiais de Justiça para intimação de agressores.
 
PM NAS RUAS
Já as ações da Polícia Militar começaram ontem e seguem até 20 de setembro. Nesta segunda-feira foi realizada blitz educativa com distribuição de panfletos com informações de conscientização sobre a violência doméstica.

Além disso, serão intensificadas as ações de fiscalização, as ações protetivas, as visitas às vítimas, principalmente aquelas que têm caso de reincidência, e também aos autores para desmotivá-los a praticar o crime de violência doméstica.

Segundo a PM, as patrulhas de prevenção à violência doméstica atuam ininterruptamente durante todo o ano, acompanhando vítimas e autores. “É muito importante destacar que a PM não se limita a registrar um crime de violência doméstica. Após o registro, é feito o acompanhamento dessas vítimas e desses autores pela patrulha de prevenção, que realiza nove visitas após o ocorrido”, explica a tenente Leidiane Caldeira. 

“Todas as mulheres são conscientizadas sobre os direitos e quais dispositivos legais que estão disponíveis para proteção delas, bem como as medidas protetivas e as consequências para o autor. É muito importante que todas denunciem”, alerta a tenente.

Segundo ela, não pode prevalecer o ditado de que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”. “A sociedade deve sim tomar providências com relação a esses crimes. Percebemos que a população tem se conscientizado sobre a gravidade que é a violência doméstica e muitas vezes recebemos denúncias de vizinhos que escutam algum atrito”, afirma.

Denúncia é fundamental
O delegado-geral, Jurandir Rodrigues, reforça a importância da prévia comunicação dos casos de violência, reforçando ainda o atendimento às mulheres nas Delegacias Especializadas do 11º Departamento. “A violência doméstica é um problema social e de saúde pública, e que combatemos através da repressão aos agressores. A Polícia Civil conta não só com a testemunha presencial, mas todo aquele que tenha qualquer tipo de informação que possa levar à apuração delitiva, sejam parentes, amigos, familiares, principalmente vizinhos, pois essa violência ocorre no interior da residência”, explica.

O delegado orienta ainda que a vítima pode comparecer a uma das unidades especializadas ou das demais delegacias da PC. “Temos também uma importante ferramenta, que é a Delegacia Virtual do Estado de Minas Gerais, em que a vítima pode fazer o registro de ocorrência e fazer a medida protetiva de urgência”, alerta. Outro canal de denúncia é o Disque Denúncia, através do 181.