A obra iniciada pela Prefeitura de Montes Claros na avenida Vicente Guimarães teve mais um capítulo de destruição na noite desta segunda-feira (6). Orçada em R$ 19 milhões, a previsão para o término era junho de 2020, entretanto, até agora a prefeitura fez apenas o alargamento em parte do canal. Com isso, o asfalto cedeu e está a poucos metros de distância de um prédio. Os moradores estão assustados e chegaram a deixar as casas durante a noite, com receio de que aconteça uma tragédia.

“O asfalto desabou na minha frente. Como tinha chovido muito à noite, eu abri a janela e assisti a cena. Fiquei apavorada. A sensação é a de que eu iria cair junto”, disse a professora Marilda Eliana Soares, que após dez minutos de chuva pegou o carro e deixou o prédio. Sem alternativa de onde ficar, retornou à residência e, desde então, não tira os olhos da avenida.

“A prefeitura esteve aqui e fez apenas um paliativo, colocando pedras. A Defesa Civil garantiu que era suficiente. Mas as pedras deslizaram. Estou prestando atenção e a cada chuva cede um pouco mais. Não é seguro”, afirmou a professora, acrescentando que o Corpo de Bombeiros deixou claro que há riscos.
 
FORA DE CASA
A água invadiu o prédio e só não houve mais danos porque os moradores do térreo se mudaram em função dos alagamentos constantes. “A água passou por cima das divisórias de madeira e ficou mais de um metro acima do asfalto. Hoje tem novas rachaduras e a terra está visivelmente a ponto de ceder”, avalia um morador da rua João Vilela.

“A região ficou completamente alagada ontem (segunda). Já vim aqui outras vezes, mas essa é a primeira vez que vejo isso acontecer. É bastante complicado o acesso”, disse o estudante Erick Santiago.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, durante as chuvas desta segunda-feira foram atendidas cerca de 20 ocorrências em bairros como Maracanã, Jardim Olímpico, Interlagos, Canelas e São Judas. A maioria dos problem relacionada à ausência de drenagem e bueiros entupidos.

O secretário de Infraestrutura e Planejamento Urbano, Guilherme Guimarães, admitiu que não há equipes e maquinário suficiente para atender a demanda e que há um calendário de prioridade, sem contudo, explicar o critério utilizado.

A assessoria de comunicação emitiu uma nota dizendo que o secretário Guilherme Guimarães e a equipe da secretaria estavam com o coordenador da Defesa Civil “visitando importantes obras que estão sendo realizadas na avenida Vicente Guimarães, oportunidade na qual orientaram moradores a respeito de procedimentos adequados no período das chuvas”.

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