Montes Claros aguarda a chegada de mais doses da vacina contra a Covid-19 para iniciar a imunização de pessoas com comorbidade. Além de ainda não haver uma data marcada para atender esse público, ele teve que ser dividido em grupos em função da quantidade de vacinas disponíveis. 

Decreto municipal nº 4.211, publicado na noite de quarta-feira, estabelece a ampliação do público a ser imunizado, mas sem abarcar todas as doenças crônicas em um primeiro momento.

De acordo com a secretária Municipal de Saúde, Dulce Pimenta, em entrevista ao canal de TV local, não há vacinas suficientes para a cobertura de todo o público com comorbidades. Por isso, houve a necessidade de dividir as enfermidades em grupos e alguns tipos com limitação de idade.

No primeiro momento, receberão a vacina pessoas com síndrome de Down, doença renal crônica, gestantes e puérperas com comorbidades, pessoas com comorbidades de 55 a 59 anos e pessoas com deficiência permanente cadastradas no Benefício de Prestação Continuada (BPC) de 55 a 59 anos. 

Para serem vacinados, os pacientes devem levar, além de documento pessoal e comprovante de residência, atestado médico comprovando a condição de saúde. A exceção do atestado é apenas para os pacientes com Síndrome de Down e do BPC.

Em outra etapa, serão imunizadas pessoas com demais comorbidades, com deficiência permanente cadastradas no Programa de Benefício (BPC), gestantes e puérperas independentemente de condições pré-existentes. Nesse segundo grupo, estão incluídas faixas etárias de 50 a 54 anos, 45 a 49 anos, 40 a 44 anos, 30 a 39 anos e 18 a 29 anos.

As outras condições que dão direito à vacina – e que entram na segunda etapa – são diabetes tipo melitus, sem critério de idade; pneumopatias crônicas graves, incluindo doença pulmonar obstrutiva crônica, fibrose cística, fibroses pulmonares, pneumoconioses, displasia bronco-pulmonar e asma grave (uso recorrente de corticoides sistêmicos, internação prévia por crise asmática); doenças cardiovasculares em especificidades diversas; próteses valvares e dispositivos cardíacos implantados; doença cerebrovascular; acidente vascular cerebral isquêmico ou hemorrágico; ataque isquêmico transitório; demência vascular; pessoas vivendo com HIV e CD4; pacientes oncológicos que realizaram tratamento quimioterápico ou radioterápico nos últimos seis meses; neoplasias hematológi-cas; anemia falciforme; obesidade mórbida com índice de massa corpórea (IMC) igual ou maior que 40; indivíduos com alguma deficiência intelectual permanente que limite as atividades habituais.

 
PRIORIDADE
“Os pacientes devem receber a vacina. A doença renal crônica é um fator de risco e os pacientes devem ter prioridade. Quanto aos efeitos do imunizante, eles correm os mesmos riscos que qualquer outra pessoa”, diz a médica nefrologista Tatiana Vieira Carneiro.

O técnico em Segurança do Trabalho Valdelson Ribeiro dos Santos está afastado das atividades para se submeter às sessões de hemodiálise. Recém-formado em Medicina Veterinária pela Funorte, aguarda um transplante de rim, mas transplantado ou não, diz que pretende voltar logo ao trabalho e a vacina trouxe uma esperança.

“Fiquei muito feliz em receber essa notícia. É importante para todos nós que fazemos tratamento. A pandemia mudou a minha rotina e não saio de casa para não ficar exposto ao vírus. Só saio para fazer a diálise. Vou me vacinar sim”, afirma. 

Já a artesã Roberta Fialho, de 28 anos, está contemplada no segundo grupo prioritário. Portadora da doença de Chron, há um ano ela está entre a casa e o ateliê e interrompeu qualquer outra atividade por causa da doença autoimune. Apesar do sucesso do negócio, quer voltar a viver sem medo.

“Eu perdi tios, primo, amigos e colegas para a Covid. Estou esperançosa com uma vacina que já existe. Espero que o governo colabore”, diz Roberta, que aguarda ansiosamente pela sua vez.

Enquanto não chega a data das pessoas com comorbidades receberem a proteção, Montes Claros continua com a vacinação de idosos, que no momento está aberta para aqueles com 60 anos ou mais.