Mais de um mês após o laboratório de Pesquisa em Saúde do Hospital Clemente de Faria, da Unimontes, ser credenciado pelo governo para fazer testes de detecção do novo coronavírus, o que agilizaria os diagnósticos no Norte de Minas, nenhum resultado saiu da unidade. 

Segundo a Unimontes, ainda faltam insumos para o laboratório iniciar as atividades. O governo do Estado informou que foram repassados pelo Tribunal de Justiça R$ 162 mil à universidade. O recurso está sendo aplicado na compra de insumos e modernização do laboratório. No entanto, como há grande demanda em todo o mundo pelos mesmos insumos e equipamentos, há uma demora na entrega dos produtos.

Com isso, a demanda se concentra na Fundação Ezequiel Dias (Funed), em BH, tornando a liberação de resultados mais lenta.

Para tentar agilizar a preparação do laboratório da Unimontes, o Tribunal de Justiça, a Funed e a multinacional Novo Nordisk, que atua em Montes Claros, se uniram.

A meta é que, até julho, o laboratório de diagnósticos da Unimontes esteja produzindo, em média, 350 resultados por semana. “A espera era calculada e, a partir da ajuda da Novo Nordisk e do TJMG, conseguimos comprar estes insumos. Estão pagos e aguardando a entrega, que deverá acontecer nos próximos dias. Atualmente, os testes estão concentrados na sede da Funed, em Belo Horizonte, com média de três dias para a divulgação do resultado. É importante que a nossa estrutura esteja à disposição mais adiante, já que a tendência é de alta do pico de casos da doença para o próximo mês”, afirma o pró-reitor de pós-graduação e professor do Departamento de Bioquímica e Diagnósticos da Unimontes, André Luiz Sena Guimarães.
 
EQUIPAMENTO
Nesta parceria, a Novo Nordisk entra com um equipamento que custa mais de R$ 300 mil e permite a extração automatizada do ácido nucleico das células suspeitas de contaminação.

De acordo com o pró-reitor, o recebimento do equipamento representou a superação da primeira etapa do processo de diagnósticos da Covid-19, além de garantir agilidade e segurança na realização dos exames.

“A entrega está atrasada porque o mundo inteiro procura pelos mesmos produtos, mas imaginamos que no máximo até meados de julho já estaremos realizando os exames. O equipamento equivale ao primeiro processo do exame, que pode ser feito manualmente, mas além dos riscos de contaminação, leva três vezes mais tempo, atrasando os resultados”, detalha o pró-reitor.

Segundo Guimarães, a segunda etapa consiste na purificação do ácido e, em seguida, na transformação em DNA, o que é feito com a ajuda de um equipamento que se chama RT-PCR.

A universidade já possui alguns destes equipamentos, mas recebeu outro da Novo Nordisk para acelerar a liberação de resultados. Já a última etapa é o resultado, positivo ou negativo, de acordo com as curvas de amplificação determinadas pelo equipamento.
 
CAPACITAÇÃO
Enquanto os insumos não chegam, os profissionais da Unimontes estão fazendo várias simulações de exames, para que estejam totalmente adaptados e preparados para quando os trabalhos realmente começarem. Atualmente, a equipe conta com dez profissionais, sendo cinco professores e cinco alunos da pós-graduação.

Além dos reagentes, a verba do Tribunal de Justiça está sendo utilizada para compra de ponteiras, pipetas, balanças, cabines de segurança biológica, medidores de PH e outros acessórios químicos.

“Foi um dinheiro abençoado que chegou em boa hora e está sendo muito bem utilizado para ajudar a salvar vidas”, afirma o pró-reitor, André Guimarães.