Usuários do transporte coletivo em Montes Claros reclamam da prestação do serviço desde que os cobradores foram retirados dos veículos. O contrato assinado pelo prefeito Humberto Souto com a concessionária MocBus prevê a demissão de 50% dos funcionários. A medida já trouxe impactos e provoca insatisfação entre os passageiros. Sem o profissional das roletas, toda ação dentro dos coletivos é executada pelo motorista.

“Fui passar o cartão e ele travou. Não tinha dinheiro para pagar e tive que ligar para a empresa depositar o valor na minha conta. Agora, vou ter que ir à MCTrans para saber o que aconteceu. Alguém dentro do ônibus falou que o sistema vai mudar, mas eu acho que eles deveriam nos comunicar”, reclamou Aparecida de Paula, que utiliza a linha do Centro para a Vila Atlântida.
 
QUALIDADE
Para a autônoma Júnia Marize Santos, a qualidade do serviço está ruim. “O motorista está sobrecarregado e sobra para a gente. Ele demora a fazer o troco e tem que parar para isso. Para fazer a troca de motorista hoje demorara cerca de 20 minutos. Mesmo quem passa cartão depende do motorista para liberar a roleta. E a falta de atenção no trânsito nos deixa com medo. Ele tem que ficar atento. Não sei por que tiraram os cobradores. Dou nota zero para o serviço”, diz.

Em algumas situações, os usuários desistem de utilizar o coletivo e optam por outro tipo de transporte. Foi o que aconteceu com a dona de casa Maria José Souza, que dividiu uma viagem via aplicativo com duas adolescentes.
“Estávamos no ponto no bairro Santa Rita e, depois de 40 minutos de atraso, elas decidiram chamar um motorista por aplicativo para chegarem à escola e me deram uma carona. O atraso pode ter acontecido por vários motivos. Um deles é que quando tem cadeirante, o motorista precisa parar para ajudar. Esse serviço era feito pelo cobrador. Agora, não tem mais. É uma pena”, avaliou.

A funcionária pública Denize Braga sentiu no bolso o impacto da mudança no serviço. “Eu pegava dois ônibus, um na ida e outro na volta. Agora, não tem mais integração e preciso pagar quatro ônibus. Saio do bairro Santa Rafaela, desço no Centro e pego outro até a universidade onde trabalho. Além disso, tenho que sair de casa mais cedo, porque gasto mais tempo”, afirmou.
 
CÂMARA
A reclamação pautou o discurso dos vereadores nesta semana na Câmara Municipal. E um dos mais incisivos foi Fábio Neves (PSB), que ainda não havia assumido a cadeira no Legislativo quando o prefeito assinou o contrato com a empresa, mas entende que a responsabilidade foi daquela Casa, ao autorizar o Executivo.

“O prefeito, quando fez a renovação do contrato, tentou passar para a população uma coisa e está funcionando outra. Impôs, através deste novo contrato, a redução dos trabalhadores. Infelizmente, são quase 300 pais de família que vão perder o posto de trabalho. Como se não bastasse, quem está lá na ponta e pega o ônibus no dia a dia está sentindo na pele a má qualidade. Quem ditou as regras foi o prefeito, com o aval da Câmara, então, ele tem que assumir essa responsabilidade e parar de culpar a empresa”, assegurou.

Consultada sobre as mudanças reclamadas por usuários, a MocBus afirmou que tecnicamente os atrasos não foram confirmados, quando analisados os GPS dos veículos. As alterações de horário podem ser consultadas no site da empresa. Com relação aos cobradores, a MocBus confirmou que até o momento foram demitidos cerca de 35% deles e, no contrato com a prefeitura, a permissão é para 50% de redução. Sobre a não integração das linhas, a empresa declarou que o itinerário e a fiscalização são de responsabilidade da MCTrans.
 
SEM RESPOSTA
O presidente da MCTrans, José Wílson Guimarães, não atendeu as ligações, até o fechamento da edição.