Trabalhadores e empresários do setor de eventos saíram em passeata, nesta terça-feira, da Prefeitura de Montes Claros até a casa do prefeito Humberto Souto, para reivindicar a retomada das atividades. 

Proprietária de uma casa de eventos e líder da manifestação, Núbia Veloso contou que o objetivo é convencer o poder Executivo a adotar medidas semelhantes às incluídas no Minas Consciente, do governo do Estado, que vigora em cidades do Norte de Minas.
 
Projeto
O Minas Consciente estabelece que serviços que estimulem grandes aglomerações permaneçam impedidos de funcionar até que o município esteja enquadrado na Onda 3. Atividades e eventos em estilo drive-thru e drive-in estão liberadas, independentemente da onda da região, sem limitação de clientes/usuários, desde que todos os demais protocolos sejam rigorosamente aplicados, segundo o governo de Minas.

A categoria alega que, se o município aderisse ao Minas Consciente, seria classificado na Onda 3, que permite eventos com até 100 pessoas, que obedeçam a regras sanitárias como distanciamento, uso de máscara, álcool em gel, entre outras.

“Se estamos aqui clamando é porque há possibilidade. Não colocaríamos em risco a vida de nossos clientes e de nossas famílias por dinheiro nenhum. Todos os setores que foram flexibilizados tiveram mérito e nós temos o nosso”, disse a empresária, pedindo diálogo com a prefeitura.
 
isenção de taxas
 A categoria reclama que as taxas de lixo, IPTU alvará de funcionamento e outras continuam sendo cobradas, mesmo com a paralisação do setor há um ano e quatro meses. 

“Precisamos urgentemente da isenção das taxas e de uma direção. Assim como a prefeitura deu as diretrizes para a retomada das instituições de ensino com base em índices epidemiológicos, nós também precisamos. Estamos às cegas. Não podemos ficar à mercê da decisão do prefeito. Temos contratos em vigor, a agenda vem se arrastando desde 2019 para ser executada em 2020 e não sabemos quando voltar. Trabalhar de forma clandestina não é uma opção para o nosso segmento”, afirma Núbia.

A produtora de Eventos Francielen Oliveira, da Associação Mineira de Eventos e Entretenimento (Amee), pontua que as igrejas estão abertas, casamentos continuam acontecendo e pessoas se reúnem em restaurantes.

“Se é possível colocar quatro pessoas em uma mesa de bar ou restaurante, porque não colocar quatro pessoas em uma mesa no salão de eventos?”, questiona, acrescentando que a cadeia beneficiada com o funcionamento da atividade é ampla, faz a economia girar e tem um leque de capacidades que poderia ser, inclusive, usado pelo poder público.

“Nossos profissionais são experientes e poderiam auxiliar em ações da prefeitura, como a vacinação, mas em nenhum momento fomos ouvidos, sequer para a confecção do decreto, que tem inconsistências e contradições”.
 
Resposta
A Prefeitura de Montes Claros informou, por nota, que “compreende a reivindicação do setor, mas que é necessário lembrar que a pandemia não acabou e tais atividades têm características de contato ou aglomeração com potencial de disseminação do vírus da Covid-19. É preciso, portanto, compreensão e paciência, aguardando a evolução dos números da doença, para avançar na flexibilização dessa e de outras atividades”.