O sistema de saúde de Montes Claros atingiu a capacidade máxima de internação de pacientes com Covid-19 e os hospitais suspenderam os atendimentos de casos suspeitos da doença por causa da falta de leitos. 

Com a situação beirando ao caos, o Comitê de Combate à Covid-19 da cidade entregou ao prefeito Humberto Souto um documento com o resultado da reunião realizada nesta terça-feira e sugestões do que fazer. Até mesmo o lockdown foi indicado. Agora está nas mãos do gestor definir quais medidas restritivas serão tomadas.

Montes Claros segue em toque de recolher desde a noite da última quinta-feira (25), com a proibição de circulação pelas ruas da cidade das 22h30 às 5h. A medida, válida por dez dias, pode ficar ainda mais rigorosa – ou com ampliação do horário de restrição de circulação ou até mesmo com o fechamento total da cidade.

O município chegou à capacidade máxima de atendimento na segunda-feira. Não há mais leitos de UTI disponíveis. No último sábado, O NORTE já havia mostrado que as unidades de saúde estavam bem próximas da saturação. Naquela data, a Santa Casa já havia emitido nota suspendendo os atendimentos.

Na segunda-feira foi a vez do Hospital Aroldo Tourinho (HAT) colocar em operação o Plano de Contingência, suspendendo os atendimentos a pacientes com sintomas gripais em todos as modalidades: particulares, convênios e SUS. 

Também com lotação esgotada, o Hospital Universitário Clemente de Faria colocou em prática o Plano de Contingência interno nesta terça-feira. Mantém apenas atendimentos de urgências e não determinou prazo para retorno do atendimento a pacientes de Covid-19.

Já o Hospital das Clínicas Dr. Mário Ribeiro da Silveira, primeira referência em Covid na região, emitiu nota no mesmo sentido, mas ressaltou que há espaço físico para uma possível ampliação e pediu parceria dos governos e iniciativa privada para implementar a medida.

“O hospital tem capacidade para 67 pacientes, mas está com 72 atendimentos. É um número muito grande. O Pronto-Atendimento funciona 24 horas e temos cinco pacientes aguardando internação. Já fizemos contato com a Secretaria Municipal e disponibilizamos o espaço. Temos capacidade para mais 18 pacientes na unidade intermediária e dez na UTI. Se os outros hospitais não têm leitos, mas têm equipamentos e profissionais, podem ceder ao HC para que a gente possa atender mais pessoas aqui. Pedimos união de todos os setores, do governo, do poder público, para que possamos resolver a situação”, diz a diretora do HC, Raquel Muniz.
 
AGRAVAMENTO
A secretária Municipal de Saúde, Dulce Pimenta, afirma que o município já apresentava um crescimento no número de casos e internações desde a última semana. Situação que foi mostrada em edições de O NORTE. 

Além disso, ela destaca que está havendo uma mudança no perfil dos pacientes internados. “Pessoas mais jovens foram evoluindo para casos mais graves e muitas delas vindo a óbito. Também pessoas que não estavam no grupo de vulnerabilidade, não tinham comorbidades e nem doença crônica pré-existente”, explica a gestora da pasta. 

De acordo com a secretária, entre a divulgação do último boletim, na tarde de segunda-feira, e o início da tarde desta terça-feira, mais nove óbitos foram confirmados na cidade, que soma 300 mortes e 19.304 casos confirmados.

Mesmo assim, Dulce afirma que a possibilidade de transformar a UPA Chiquinho Guimarães em Hospital de Campanha foi cogitada, mas está, a princípio, descartada. Essa alternativa só se confirmaria se houvesse outro local para abrigar a UPA, que atualmente está funcionando para atendimento inclusive de pacientes com sintomas gripais, já que os hospitais atingiram o limite.

A secretária disse ainda que há uma grave limitação, que é a de profissionais de saúde. “Muitos deles estão atendendo em jornada tripla. Saem de um plantão em um hospital e vão para plantão em outro. Medidas de ampliação da rede assistencial já foram tomadas desde a semana passada. Estamos negociando com o Estado, mas temos que montar a estrutura de pessoal”, diz.