Não bastasse a espera, que já beira um ano, pela recuperação da ponte que é o principal acesso do Sapucaia a outras regiões de Montes Claros, moradores do bairro agora enfrentam o risco de ver o desvio que usam ser também interditado. O motivo: incêndios na Serra do Mel, com chamas que podem consumir e derrubar os postes de energia feitos de madeira, fechando a via alternativa. Apesar da situação, que pode levar a um isolamento ainda maior da comunidade, as famílias afirmam não ter sequer uma previsão da prefeitura sobre quando a reconstrução da ponte será feita. 

A estrutura caiu no início deste ano. O empresário Émerson Acipreste lamenta o posicionamento do Executivo municipal em relação ao bairro.

“A obra não sai do papel. Não sei por que a demora em resolver uma coisa tão simples que poderia ser realizada pela própria Esurb, que é da prefeitura. Eles têm condição de fazer isso, mas abandonaram os moradores, esqueceram que as pessoas que moram aqui têm o direito de ir e vir”, disse.

O NORTE mostrou, em mais de uma ocasião, a precariedade e o perigo depois da queda da ponte. Pessoas que trabalham no bairro têm dificuldade para chegar ao local porque os ônibus deixaram de circular e algumas até se arriscam e tentam passar pelo trecho a pé, mas não conseguem. De acordo com Émerson, a rotina dele e a de vários outros moradores foram alteradas com a interdição. Para que a funcionária dele vá trabalhar, a saída é buscá-la no Centro.

Agora surge mais uma preocupação. Com mais de 200 casas, o bairro até pouco tempo era um dos mais procurados em razão da extensa área verde que cerca o local. Mas as queimadas na Serra do Mel danificaram parte da área e por pouco não chegaram às casas. E a via alternativa de acesso pode ser interrompida a qualquer momento.

“Os postes de madeira de alta tensão foram queimados e podem cair, impedindo a passagem para o bairro. Além disso, há uma obra particular, possivelmente de um condomínio, que está sendo realizada sem nenhum acompanhamento da prefeitura e os carros interditam a via”, preocupa-se o empresário.

Tilde Sarmento é uma das moradoras mais antigas do bairro e não entende por que a obra ainda não foi realizada.

“Não quero jogar pedra em ninguém, nem falar mal da administração, mas apenas estou falando da minha insatisfação como moradora. Essa é uma obra prioritária. Já deveria ter sido feita”, diz a professora, que por ser grupo de risco está em isolamento durante a pandemia e depende do serviço de entrega de mercadorias em casa.

“Preciso receber de itens de farmácia a alimentação. Ficou muito difícil sem a ponte. Todos cobram taxas mais altas porque têm que dar uma volta muito grande para chegar aqui”, reiterou.

O Secretário de Infraestrutura e Planejamento Urbano, Vanderlino Silveira, não foi encontrado pela reportagem para falar sobre a situação.