Uma informação divulgada por vereadores de Montes Claros nas redes sociais, dando conta de que algumas unidades de saúde do município estariam disponibilizando o chamado “tratamento precoce” da Covid-19, gerou conflito com a Coordenadoria de Vigilância Epidemiológica e Imunização. O órgão emitiu um comunicado no final da noite de segunda-feira afirmando desconhecer a situação e se isentando da responsabilidade pela divulgação da lista.

A informação teria surgido, segundo nota emitida pelo vereador Wilton Dias (PTB), por meio de um comunicado feito pela Secretaria Municipal de Saúde às unidades de atendimento no último dia 18.

“A Secretaria expediu comunicado a todas as Unidades de Saúde do Município para que afixassem aviso aos usuários, deixando claro o direito de os pacientes, caso queiram, optar pelo tratamento precoce da Covid-19”. O vereador chegou a comemorar a medida adotada pelo município. “Hoje pudemos celebrar mais um avanço: foi disponibilizada pela Secretaria Municipal a lista das Unidades de Saúde do Município que estão aptas a prescrever o tratamento precoce”.

Segundo o parlamentar, a secretária Dulce Pimenta teria se reunido com os vereadores em 22 de março e discutido o assunto. Após a reunião, uma lista com o nome das 30 unidades com profissionais que já adotavam o tratamento precoce desde setembro de 2020 foi enviada aos parlamentares por um funcionário da secretaria, com autorização da titular da pasta e, posteriormente, divulgada por eles com o intuito de orientar a população.

No entanto, a Secretaria Municipal de Saúde negou o fato. Na nota divulgada na noite de segunda-feira, informou que “os questionamentos quanto à exposição destes dados devem ser encaminhados para a Diretoria de Atenção à Saúde”. O NORTE procurou tal departamento, mas foi informado de que o setor iria emitir uma nota técnica esclarecendo os fatos possivelmente ainda nesta terça-feira. O que não ocorreu até o fechamento da edição.

RETRATAÇÃO
Em nota emitida ontem, o vereador Wilton Dias, indignado com a postura da secretaria e da gestora da pasta, informou que a Câmara enviou um ofício à secretária Dulce Pimenta pedindo para que se retrate imediatamente, em respeito aos vereadores, aos médicos citados na nota e ao povo de Montes Claros.
 
SEM COMPROVAÇÃO
O médico montes-clarense Murilo Lages gravou um vídeo pontuando os perigos no uso dos medicamentos “indicados” para combater a doença. Ele relata que está na linha de frente de combate à Covid desde o ano passado e tem visto casos graves, especialmente com a nova variante, que está causando o esgotamento dos leitos. E ressaltou que há uma preocupação dos profissionais com a sugestão do tratamento.

“Na minha opinião deveria ser chamado de ‘kit ilusão’ já que está mais do que comprovado que a hidroxicloroquina não funciona na Covid. Tem vários estudos comprovando isso. A Ivermectina, em altas doses, além de não funcionar, é extremamente perigosa para os pacientes. Peguei uma paciente magra, mulher, usando 5 comprimidos de Ivermectina por dia, o que pode causar hepatite medicamentosa. Isso não é brincadeira. As pessoas não são cobaias. Os estudos com Ivermectina que mostraram algum benefício são in-vitro. Em vivos só mostrou desfechos muito substitutivos em alguns pequenos estudos. Então, não é uma droga que muda prognóstico e a gente não tem utilizado”, declarou o médico.