“A população nunca esteve tão doente!”. A afirmação é de um profissional da área de saúde de Montes Claros que acompanhou de perto, como membro do Conselho Municipal de Saúde, as agruras dos pacientes que recorrem a hospitais e postos de saúde da cidade em busca de um alívio.

“Temos que trabalhar com a saúde preventiva contrapondo à saúde curativa. Esse é o ponto principal e o que vai fazer com que os hospitais sejam menos demandados”, diz José Carlos Gomes, servidor de um hospital da cidade.

“Muitas vezes, o cidadão dá com a cara na porta ao buscar os PSFs na cidade. O sistema de distribuição de senhas para atendimento não funciona. Não há prioridade para aqueles que precisam, como os idosos, e a burocracia está prevalecendo. Estamos lidando com vidas. A razão de ser do sistema de saúde é o paciente. É dele que temos que cuidar”, ressalta Gomes.

Como membro do Conselho Municipal de Saúde, ele revela que a ocupação dos espaços é ineficiente e não há transparência na gestão.

“A indicação não deve ser política. Os membros têm que estar qualificados para lidar com as necessidades do povo e conhecer as deficiências das comunidades”, revela José Gomes, que diuturnamente insiste com a Secretaria Municipal de Saúde para ampliar o número de PSFs em bairros onde a necessidade é urgente, como o Novo América. De acordo com Gomes, a resistência de colocar profissionais atendendo naquela região se deve a questões políticas.
 
OCIOSIDADE
Em tempos de pandemia, as fragilidades do sistema ficaram ainda mais nítidas. Situações como o número precário de profissionais capacitados para atender à demanda de mais de 400 mil habitantes vão depender, segundos especialistas em gestão da saúde, de uma reestruturação do sistema e aplicação de políticas eficientes para facilitar o acesso dos mais carentes.

Em nota enviada a O NORTE, o Estado afirma que se concentra em manter os municípios abastecidos e em promover capacitação periódica para equipes de vigilância no enfrentamento à pandemia.

A assessoria informou ainda que “entre as ações realizadas, em todas as regiões de Minas Gerais, estão a distribuição de equipamentos hospitalares para leitos de Covid-19, de equipamentos de proteção individual para profissionais de saúde, entrega de testes rápidos e de kits para coleta e realização de RT-PCR, ampliação de leitos de UTI em todas as macrorregiões e a emissão de notas técnicas para apoio aos profissionais de saúde e equipes técnicas”.
 
SEM EFICIÊNCIA
“O município não respondeu de maneira eficaz aos investimentos recebidos e deixou a desejar na prestação de contas, que foi feita de maneira superficial e sem clareza”, afirma o vereador Marlon Xavier (Avante).

Com a estrutura física precária em muitos postos de saúde, a UPA Chiquinho Guimarães foi anunciada como a salvação da saúde em Montes Claros, mas ficou fechada durante os meses mais críticos da pandemia.

Inaugurada às pressas em véspera eleitoral, a unidade abrigava equipamentos encaixotados e macas cobertas com lona, enquanto os hospitais tinham leitos ocupados.

Moradores da região denunciaram a situação ao parlamentar, que foi ao local e encontrou o espaço lacrado, equipamentos embalados e constatou que não havia profissionais de saúde designados para atender na unidade.

Suprir a mão de obra profissional, remunerar de maneira compatível, readequar os espaços físicos e reformular o atendimento são alguns dos desafios a serem enfrentados pelo próximo gestor.