Moradores da rua Padre Marinho, no bairro Independência, em Montes Claros, estão pedindo por socorro. A precariedade da via está impedindo que eles saiam de casa, oferece riscos de acidentes e de saúde. No entanto, os pedidos de obras são ignorados pela prefeitura.

“Estamos pedindo socorro. Precisamos que alguém resolva isso aqui. As ruas de acesso, que são a Nicarágua e a Benício, estão em estado de calamidade. Muitos buracos, canos de água para fora com risco de acidente. Como se não bastasse, estão jogando entulhos de construção nos buracos, o que acaba piorando demais a situação. Se chover, vai ficar muito pior. Temos medo”, diz a moradora Clara Sampaio.

Segundo ela, um fiscal da prefeitura foi até o local e sugeriu que os moradores procurassem um vereador para resolver o problema com o prefeito. 

“Ele disse que a gente tinha que correr atrás de vereador. Nem carros circulam mais aqui e o Samu já disse que não pode atender chamado na rua. Estamos sozinhos, abandonados, com dificuldade de sair para trabalhar, porque temos que trabalhar e o prefeito em casa com todo conforto”, reclama Clara.

Wanderley Santos, também morador da Padre Marinho, lamenta a postura da prefeitura e ressalta que é muito diferente da que ele viu durante a eleição. “Vieram aqui, fizeram reunião e falaram que iam asfaltar a rua. Agora, dizem que fica caro asfaltar porque tem que fazer drenagem primeiro. Estamos pagando imposto do mesmo jeito. Eles asfaltaram a parte de cima da rua, mas aqui embaixo, é como se a gente não existisse. A gente só existe para dar o voto. Depois que passa a eleição, esquecem que aqui moram pessoas que merecem dignidade” diz Wanderley.

Trabalhador da construção civil, ele conta que a casa é financiada pelo banco, mas que já estaria pensando em se mudar. “Não vejo saída. Vou devolver a casa à Caixa e procurar outro lugar para morar. Não dá para continuar aqui desse jeito. Fui buscar a minha esposa no serviço e ela caiu da moto. Nem a pé estamos conseguindo mais sair do bairro. Se chover, estamos perdidos. O mato também tomou conta do bairro e nem os terrenos que são da prefeitura eles limpam”, aponta.
 
DENGUE
Moradores alertam que nas proximidades há uma creche cuja construção está parada há dois anos. O local estaria servindo de foco de reprodução do mosquito da dengue. 

“Está tudo abandonado. Não tem nem sinal de que a obra vai continuar. Tem a pandemia, mas a dengue não deixou de existir e esse risco a gente também está correndo, porque os lotes estão sujos, a construção parada e a gente aqui morando num bairro que parece que não faz parte do resto da cidade”, diz a dona de casa G.S..

O secretário de Obras, Guilherme Guimarães, foi procurado pela reportagem, mas até o fechamento da edição não retornou o contato.