O recesso prolongado em Montes Claros e a ampliação da “Onda Roxa” por mais 15 dias chegam para abalar ainda mais a economia da cidade. Apesar da preocupação com os números da Covid-19, comerciantes não sabem como vão segurar os negócios com mais essas limitações.

“Para nós, este impacto de mais 15 dias fechado é um complicador. Neste momento, estamos tendo muita informação de comércio que vai fechar as portas, que já estão fazendo acertos com funcionários. Infelizmente, a gente sabe a gravidade no aspecto da saúde, mas a economia chegou também a uma situação grave e a gente vê isso com preocupação. Talvez algumas ajudas para o comércio não cheguem a tempo. Algumas empresas em breve vão fechar”, lamenta o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Montes Claros (CDL), Ernandes Ferreira.

Segundo ele, enquanto se aguarda medidas do governo para minimizar os impactos, as empresas estão dando férias aos funcionários. “A prorrogação dos impostos ajudou. Dá uma certa tranquilidade saber que podemos pensar nestes pagamentos daqui a três meses, mas há a preocupação de muitas empresas de conseguir honrar dentro deste prazo. A gente vai depender da retomada da economia”, reforça.

O decreto publicado nesta terça-feira pela Prefeitura de Montes Claros, além de estabelecer a antecipação dos feriados, determinou a prorrogação do prazo de pagamentos de impostos municipais para tentar ajudar os empresários afetados pela pandemia.
 
LONGE DAS RUAS
Em entrevista, o prefeito Humberto Souto declarou que o decreto tem o objetivo de manter as pessoas em casa o máximo possível e diminuir o número de contaminados pela doença. Serão instaladas barreiras sanitárias e aqueles que saírem do município serão monitorados ao retornar e deverão permanecer em isolamento por 14 dias, utilizando pulseiras. A desobediência é passível de multa.

O presidente da Associação dos Municípios da área Mineira da Sudene (Amams), Nílson Bispo, afirma que esteve com o governador em busca de apoio para a região especialmente com relação ao oxigênio, mas ainda não há nenhuma medida efetiva de apoio.

“A situação está complicada em todas as regiões. As pessoas estão passando dificuldades. O governo não quer prejudicar ninguém. Tem gente vendendo o almoço para comprar a janta. Fizemos reivindicações de aporte financeiro, cestas básicas para combater a fome das pessoas. Só o lockdown não adianta. Eles ficaram de estudar uma alternativa, mas não tem nada de concreto ainda”, diz Nílson.

Ajuda aos afetados

O governador Romeu Zema afirmou ontem que solicitou à Secretaria da Fazenda que avalie o que pode ser feito para auxiliar as micro e pequenas empresas que serão afetadas pela “Onda Roxa”. 

“Da mesma forma que ocorreu em 2020, está previsto, sim, para esse momento difícil, algum tipo de compensação para aquelas atividades e pessoas que vierem a ser afetadas”, afirmou. 

Segundo Zema, o governo estadual já aprovou no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) um novo programa de recuperação fiscal (Refis), que será disponibilizado para todos os empresários do Estado. 

O governador afirmou, ainda, que solicitou junto à Copasa e Cemig a implementação de um procedimento que atenda de maneira excepcional as pessoas atingidas pela “Onda Roxa”, pois ele avalia que elas terão dificuldades em quitar os compromissos.