Sem chuva suficiente e muito menos previsão, a Copasa anunciou ontem a volta do racionamento de água em Montes Claros – pouco mais de um ano após suspensão do rodízio que prevaleceu de 2015 a 2018 na cidade. A restrição acontecerá em dias alternados, com 24 horas de interrupção, e já começa no próximo domingo (17), seguindo por tempo indeterminado. 

A expectativa é de economizar a captação de 300 litros por segundo (l/s) de água da barragem de Juramento, que atingiu ontem 13,30% de sua capacidade, apenas 0,4% acima da menor média história, registrada em dezembro de 2017. O rodízio deve ser suspenso somente se a barragem alcançar 50% da capacidade. 

De acordo com o superintendente regional da Copasa, Roberto Luis Botelho, a insuficiência de chuvas e a consequente baixa na vazão dos cursos de água foram preponderantes para a tomada de decisão.

Junto a isso, o aumento da sensação de calor e a elevação do consumo em toda a cidade. Como parte do protocolo, a empresa pública já comunicou a decisão à Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais (Arsae) e à Prefeitura de Montes Claros.
 
PREVISTO 
Como noticiou O NORTE na última semana, a Copasa já vinha estudando a possibilidade de voltar com o racionamento. A única chance de a decisão não ser tomada era de que as previsões de chuva se concretizassem, fato que não ocorreu nos últimos dias.

“De outubro até essa quarta-feira (13) choveu 47,5 mm. No mesmo período do ano passado havia chovido 323mm, sem contar todos os pontos de captação em produção máxima”, explica Luis Botelho.

De acordo com a análise do superintendente da Copasa, há um ano, com várias frentes de captação, se retirava da barragem de Juramento apenas 50 l/s. Hoje, com a falta de chuva, a captação aumentou dez vezes e está em 500 l/s. No mesmo período se retirava no rio Pacuí a capacidade máxima de 345 l/s. Agora, está em 100 l/s.

O sistema Morrinhos disponibilizava 350 l/s e se encontra em 190 l/s. Já os poços correspondiam a 100l/s, agora estão em 90 l/s. Com chuva, ainda era possível captar 100 l/s no rio Verde Grande, o que hoje não acontece.

Ao todo, Montes Claros precisa de 950 l/s, mas com a alta do consumo, chegou a utilizar 1.200 l/s nos últimos dias. Para solucionar o problema de desabastecimento nos próximos 30 anos, a Copasa abrirá processo licitatório até janeiro para levar água do rio São Francisco, em Ibiaí, até Coração de Jesus, no rio Pacuí, onde já existe tubulação que leva o recurso até Montes Claros. A obra está orçada em R$ 188 milhões e tem 51 km de extensão.