O ano de 2020 chega ao fim trazendo à tona, mais uma vez, a angústia para milhares de professores da rede municipal de ensino. Os contratados foram convocados a assinar as rescisões contratuais e vão entrar no novo ano sem saber o que os espera em 2021. Eles temem pelo atraso na designação ou até mesmo pela ausência de contratação, situação que se tornou mais tensa com a pandemia.

“A expectativa não é boa, uma vez que passamos os quatro anos sem assistência alguma. O que esperar de um governo em que tivemos que, literalmente, invadir o gabinete para termos direito aos nossos salários? Não recebemos um pacote de folha sequer e tivemos que arcar com despesas que não estavam previstas”, afirma a professora S.O., relembrando um dos episódios mais dramáticos da administração municipal, ocorrido no final de 2018, quando os profissionais ficaram dois meses sem receber o salário. 

Para ela, a demora na designação, medida adotada pela gestão, provoca danos psicológicos e financeiros semelhantes ao ocorrido naquele ano e deixa inseguros aqueles que dependem do serviço para sobreviver.
 
CONCURSO
A professora M.J.S. vê no concurso público uma das alternativas para minimizar os efeitos sofridos e diz que essa é a pauta principal da educação. 

Ela relata que, inicialmente, foram enviados ofícios às escolas comunicando que os contratos seriam renovados automaticamente, em razão da pandemia. Porém, a prefeitura confirmou, em 22 de dezembro, que o estado de calamidade pública declarado em abril está prorrogado até 31 de julho de 2021. Com isso, o ano letivo só terá início em março, com aulas remotas. Até lá, os professores ficam desempregados e a insegurança aumenta.

“O último concurso ocorreu em 2009. A nossa classe clama por isso. Quando chega o final do ano, vivenciamos esta pressão. Não podemos fazer compromisso, ficamos sem saber como vamos pagar as contas. Para trabalhar de maneira remota, tive que investir em um computador, que comprei parcelado. Agora, vou pegar o dinheiro da rescisão para pagar a parcela, porque não temos ideia de quando e se seremos chamados. É uma dor de cabeça sem fim”, lamenta M., acrescentando que os profissionais foram até elogiados pela equipe de educação. “Mas elogio não paga conta”.

Com R$ 9 milhões em caixa como sobra do Fundeb e mais recursos que chegaram no finalzinho do mês, de acordo com informações obtidas por representantes da educação, eles esperam que a gestão municipal reveja a situação e não deixe os professores desempregados.

“Tivemos que nos desdobrar, reinventar e investir naquilo que o município não nos ofertou. Recebemos palavras de reconhecimento, mas queremos atitude. Somos cerca de 6 mil profissionais contratados e menos de 3 mil concursados. Se eles distribuírem tarefas, promovendo extensão de jornada dos efetivos, ainda assim não conseguirão preencher a necessidade e estarão tirando a vaga de outros. Tem dinheiro suficiente e não sabe onde gastar, enquanto nós estamos à mercê da situação”, afirma a professora.

A secretária de Educação, Rejane Veloso, foi procurada pela reportagem para falar sobre a situação, mas não retornou até o fechamento da edição. A diretoria do Sindi-Educamoc também não foi encontrada para falar sobre uma possível manifestação coletiva.