Em 2017, quando o prefeito Humberto Souto suspendeu o transporte escolar para os alunos da rede estadual nos conjuntos Monte Sião I, Monte Sião IV e Minas Gerais, a professora Gisléia Felizarda Pereira, moradora do Monte Sião I, viu um grande número de crianças desistindo da escola pela falta do transporte, e as mães em desespero.

A partir daí, tomou a iniciativa de acolher estudantes de 7 a 15 anos com aulas de reforço para compensar a baixa frequência e evitar a evasão escolar e a reprovação. Usando a própria casa como escola, Gisléia criou um projeto que chama de “Ler para Crescer”. Só em 2019 foram dez crianças “resgatadas”.

“Foi o meu presente de fim de ano em 2019. Todas elas passaram. Eu via crianças passando mal de tanto andar no sol por mais de três quilômetros. Apesar de não poderem ir à escola na frequência normal, consegui desenvolver nelas o hábito da leitura. Faço o que eu posso”, diz a professora, que manda um recado ao prefeito Humberto Souto: “eu diria ao prefeito para ter um pouco de empatia, porque as crianças são o futuro da nação. Se não se investe na educação, não vai mudar um país”, alertou.

A pequena Mary Aschley Silva Brito, aluna da Escola Helena Prates, conta que conseguiu ir à escola graças ao esforço do pai que a levava, mas revela preocupação para o ano de 2020.

“Falaram na escola que o ônibus ia chegar no meio do ano. Não chegou e foi muito difícil. Meu pai me levava algumas vezes e eu tomei aula com a tia Gi, mas agora ele mudou para outro Estado, minha mãe precisa trabalhar e eu não sei como vai ser. Uns cinco coleguinhas meus chegavam cansados e não conseguiam aprender”, diz Mary, que expõe o receio de ter que abandonar a escola e os sonhos. “Amo estudar e pretendo ser professora, delegada ou modelo”.

“Eu pediria ao prefeito que voltasse com os ônibus, porque tem gente querendo sair da escola porque não tem os ônibus. Prefiro que tenha ônibus escolar em vez de asfalto”
Mary Aschley Silva Brito - Aluna da Escola Helena Prates

DENÚNCIA FEITA – No ano passado, O NORTE mostrou, em duas edições, a dificuldade enfrentada pelos estudantes sem a oferta do transporte escolar

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