A esperança dos comerciantes do Shopping Popular de que pudessem chegar a um acordo com a Prefeitura de Montes Claros para reabrirem as lojas durante reunião realizada na segunda-feira caiu por terra. Apesar de todos os argumentos apresentados, principalmente das dificuldades financeiras que muitos estão passando, não foi possível chegar a um ponto comum.

Os lojistas se reuniram com integrantes do Comitê de Crise para Enfrentamento ao Coronavírus. Eles apresentaram proposta ao Executivo, salientando o compromisso de manterem as atividades de maneira segura.

Mas, de acordo com eles, a discussão não teve efeito, porque os representantes da prefeitura não sinalizaram com nenhum tipo de flexibilização a curto prazo. 

A prefeitura estimula os lojistas a investirem nas vendas pela internet. Desse modo, os clientes iriam até a porta do estabelecimento apenas para buscar o produto, assim como foi autorizado para outros comerciantes e em shoppings privados.

“Isso não funciona no nosso caso. Dos 282 lojistas, se dez estiverem conseguindo fazer isso, é muito. Nem todo mundo tem essa facilidade”, disse Isac Leal, que embora esteja fazendo um trabalho intenso de divulgação do produto pela internet, disse que vende apenas 20% do que estava habituado a comercializar.

“Hoje (ontem) mesmo vendi um produto por R$ 50. O cliente encomendou e eu fui levar. A casa dele fica em um bairro distante e um mototáxi cobraria quase metade desse valor para levar o produto. Ou seja, estamos vendendo apenas para não ficarmos parados, mas não existe lucro. Ainda assim, estou em uma situação melhor do que muitos que pararam totalmente”, diz ele, que conseguiu negociar prazos com os fornecedores.
 
ARGUMENTO
“A prefeitura entende que o shopping é espaçoso, mas disseram que, no momento em que autorizarem o funcionamento do Popular, automaticamente os demais shoppings se beneficiariam da medida e, naturalmente, começaria uma movimentação de pessoas na rua. O número de usuários do transporte coletivo iria aumentar e a aglomeração seria geral. Isso é exatamente o que eles não querem no momento”, contou Isac sobre o argumento apresentado pelo Executivo na reunião.

A lojista L. C. atua no Shopping Popular desde que abriu e questiona o tratamento de igualdade citado na reunião.

“Não existe isonomia. Na hora que convém, eles usam esse argumento. Mas porque eles não prepararam o local para receber o drive thru? A iniciativa privada fez isso. Nós somos tratados de maneira desigual o tempo todo. A prefeitura não quer assumir responsabilidade conosco. Nós pagamos a empresa que administra o estacionamento e o lucro é deles o ano inteiro. Agora que estamos precisando do suporte, eles fogem da responsabilidade. É cada um por si”, desabafa a comerciante.

O Shopping Popular tem um estacionamento com capacidade para 150 veículos e arrecada diariamente cerca de R$ 2 mil. O dinheiro vai para o caixa da Prevmoc, autarquia que administra o local. Os funcionários do estacionamento, bem como os da limpeza, são de uma empresa terceirizada e o serviço é pago pelos lojistas. Com a pandemia, continuam trabalhando dois funcionários na área de segurança e um na área de limpeza.

O presidente da Prevmoc disse que o shopping não tem capacidade física e estrutural para implantar o sistema de drive thru.

A reportagem tentou contato com o secretário de Serviços Urbanos, Vinicius Versiani, mas até o fechamento da edição não houve retorno.