A Prefeitura de Montes Claros libera, a partir deste sábado, a prática de esportes coletivos e o funcionamento das quadras esportivas e campos de futebol dos clubes, desde que respeitadas várias regras de segurança sanitária. Medida de flexibiliza-ção consta do decreto publicado nesta sexta-feira, que manteve o comércio aberto, mas deixou de fora, mais uma vez, o setor cultural da cidade.

O novo documento vale até 24 de maio e, dessa forma, por mais dez dias, nada de música ao vivo em bares e restaurantes, shows, apresentações teatrais. Para a categoria, a prefeitura tem jogado sobre eles o peso da pandemia, como se fossem os responsáveis pela proliferação do novo coronavírus. Nas redes sociais, não faltam críticas ao município e apelos para que todos possam voltar a trabalhar. 

Para Pepson Fernandez, que há 18 anos vive exclusivamente do ofício de cantar e tocar em bares da cidade, ter a voz silenciada pelos decretos é muito triste e tem causado estragos enormes no setor. Decretos que, para ele, ultrapassam o bom senso. O projeto enviado para ter acesso ao auxílio por meio da Lei Aldir Blanc não chegou ao destino e ele não sabe o porquê.

“E não foi somente comigo que aconteceu esse problema. Vários colegas que estavam vivendo exclusivamente da renda de músico ficaram desamparados e estamos até hoje. Infelizmente, a pandemia nos atrapalhou muito a seguir com nosso trabalho, por conta de vários decretos e por conta do fechamento dos bares durante a Onda Roxa. A música é uma atração nos espaços, mas, mesmo com a reabertura, os músicos não voltaram”, lamenta.

Pepson afirma que todos estão cientes de que o momento é de muito cuidado e seriedade. “Nos bares que trabalho, todas as normas de distanciamento e combate à Covid são respeitadas, por isso não nos sentimos culpados pelo contágio. Ao contrário, incentivamos as medidas de segurança. Só queremos trabalhar”, diz o músico.

Sem apoio do município
O cantor Jorge Takahashi foi um dos agraciados com a Lei Aldir Blanc, mas se solidariza com a categoria e afirma que, da parte do município, nada foi feito para minimizar o impacto na classe cultural. 

“A Lei Aldir Blanc é do governo federal. A prefeitura apenas fez o repasse e para os poucos que foram contemplados. A Secretaria Municipal de Cultura não fez nada, não criou nenhum projeto on-line para beneficiar a classe, não só de músicos, mas de artistas plásticos, dançarinos, atores, a cultura de forma geral”.

Takahashi pontua falhas na construção do decreto e diz que o documento traz incoerências. “É um ato arbitrário do prefeito e de sua equipe. O músico não é portador da Covid, o músico não vai levar a Covid. Existem regras como o distanciamento. Ou seja, não vão aglomerar por causa do músico. É incoerente. Temos diversos colegas passando grandes dificuldades”, lamenta.
 
FORA DE CENA
No teatro a situação não é diferente. O ator Sarney Jomersolli está parado há um ano e meio. Depois de ter viajado por 147 cidades do Brasil com o espetáculo “O Pequeno Príncipe”, peça que é sucesso de público em Montes Claros, o ator ficou totalmente parado e não conseguiu receber o auxílio, que para ele é tratado de maneira equivocada em Montes Claros.

“É muito importante que haja um decreto, mas ele faz um decreto e não tem nenhum projeto ou auxílio a ninguém. Eu acho que o prefeito deveria olhar para a classe e não apenas proibir tudo”, desabafa o ator.

O secretário Municipal de Cultura, João Rodrigues, não foi encontrado até o fechamento desta edição para falar sobre o assunto.