A comunidade rural de Montes Claros vem sofrendo com a falta de investimentos da prefeitura nas estradas e em outros tipos de infraestrutura. Os problemas vêm sendo constantemente denunciados na Câmara de Vereadores e mostrados por O NORTE desde o ano passado. A falta de condições das estradas e pontes, por exemplo, prejudica o escoamento da produção e a mobilidade dos moradores que precisam ter acesso à cidade.

Na volta do recesso parlamentar na Câmara Municipal, o vereador Ildeu Maia(Progressistas) voltou a cobrar do Executivo a atenção com a zona rural. O parlamentar denunciou a lentidão para executar obras essenciais e privilégios que estariam acontecendo com foco eleitoreiro em prejuízo à população. 

“Eles começaram a fazer um cascalhamento e, quando chegaram à comunidade de Manganagem, simplesmente decidiram pular aquele pedaço e alegaram que não poderiam continuar o serviço porque estão em período eleitoral. Mas foram para outro ponto a pedido de aliados do prefeito. É uma incoerência e descaso com a população. O argumento da prefeitura não procede e demonstra mais uma vez a intenção de enfiar goela abaixo qualquer desculpa para justificar a ausência de serviço”,declarou o parlamentar.

PONTES AINDA QUEBRADAS
Outra situação abordada por Ildeu Maia diz respeito à ponte que liga o distrito de Aparecida do Mundo Novo a outros distritos e comunidades rurais, como São Pedro das Garças e Canabrava.

“A ponte caiu há oito meses e não existe nenhuma perspectiva de quando será consertada. Os moradores dizem que não têm mais o que fazer. Para cada mês, a prefeitura tem uma explicação e ninguém acredita mais”, afirma Ildeu Maia. 

Sem este acesso, a população, que precisa transitar entre os distritos e até Montes Claros para transportar o que produz, tem mais gasto com combustível e leva cerca de 40 minutos a mais para chegar ao destino. Os ônibus que faziam viagens a Montes Claros todos os dias passaram a circular apenas duas vezes por semana. 

A moradora Rosa Maia tem outra reclamação. Além de fazer um longo percurso quando precisa ir até o distrito, a rota alternativa encontrada pelos veículos passa dentro das terras dela, o que provocou uma situação incômoda.

“Eles têm que passar por aqui. São cinco cancelas e todos os dias deixavam abertas. Então, eu tive prejuízo, porque perdi o pasto que havia feito e tive que alugar um local para deixar o gado. Cada dia eles diziam uma coisa. Estavam esperando a chuva passar. Depois disseram que tinha que esvaziar o rio. Agora, outros falam que tem que fazer o contrato com quem vai trabalhar na obra. Eu não espero mais nada”, lamenta Rosa, sem expectativa de que as promessas se concretizem.

O secretário Municipal de Agricultura, Osmani Barbosa, não foi encontrado pela reportagem para falar sobre a situação.

SAPUCAIA
A ponte do bairro Sapucaia, na zona sul da cidade, segue na mesma linha da de Aparecida. Os moradores do bairro, que abriga de 200 a 300 famílias, não têm esperança de ver a construção da ponte que veio abaixo depois de uma tempestade, no início deste ano, conta o morador Emerson Acipreste.

Para ele, falta boa vontade do Executivo, já que depois de tantas reclamações, há apenas a promessa de reconstrução. “A ponte caiu antes da pandemia. Infelizmente, isso tem causado transtorno de todo tipo aos moradores e às pessoas que trabalham no bairro. A minha secretária vem de um bairro distante e eu preciso buscá-la no Centro porque ela não consegue chegar aqui. Os moradores precisam dar uma volta muito grande para chegar aqui e os ônibus não vêm mais. A prefeitura poderia utilizar a Esurb para fazer este serviço, mas todos os dias tem uma desculpa, de falta de licitação ou de material. Enfim, não tem uma ação efetiva”, diz.

O atual secretário de Infraestrutura e Planejamento Urbano de Montes Claros, Wanderlino Silveira, não foi encontrado para falar sobre o assunto. O ex-secretário Guilherme Guimarães, que deixou o cargo recentemente, disse que a licitação realizada pela prefeitura em julho foi deserta e um novo chamamento foi aberto. A previsão é de que aconteça na próxima semana.