Primeiro, foram anos de abandono, com sujeira, mato e moradores de rua tomando conta do espaço e inibindo a frequência da própria população a uma das poucas áreas verdes no centro de Montes Claros. Então veio o anúncio da obra, que ia recuperar toda a beleza e importância da Praça da Matriz. No entanto, há 19 meses o cartão-postal da maior cidade do Norte de Minas está escondido.

Atrás dos tapumes que cercam a Praça Doutor Chaves, o que se vê são intervenções tímidas pelo tempo de fechamento. Tempo muito mais longo do que o anunciado pelo governo de Humberto Souto.

A placa de identificação da obra indica 16 de abril de 2021 como o início dos trabalhos, com previsão de entrega em seis meses. Mas o espaço está interditado há muito mais tempo.

Orçada em R$ 547.458,49, o que se vê no local são mudanças no piso, bancos e cercamento dos jardins. E o canteiro de obras em pleno funcionamento indica que a reabertura da praça pode demorar ainda mais tempo.

Tombada pelo patrimônio histórico, a praça foi lacrada por painéis de 2,20 x 1 metro com pinturas e poemas de artistas locais, iniciativa denominada “Matriz das Invenções”, segundo a assessoria de comunicação da prefeitura.
 
DEMORA
Sobre o prazo para finalização dos trabalhos, não há informações do município. A demora incomoda moradores, visitantes e comerciantes que têm negócios no entorno da praça.

Baiana que há 22 anos reside em Montes Claros, Maria da Graça Dutra, moradora do Jardim Palmeiras, lamenta o longo período de isolamento do espaço público.

“No entorno da praça encontram-se comércios populares importantes, e o fechamento dificulta o acesso a eles”, afirma. Maria da Graça conta que sempre leva a neta Brenda para acompanhá-la nas compras, mas, agora, não podem mais parar para descansar na praça, fazer um lanche e contemplar o patrimônio municipal.

O fechamento prolongado também interfere nas vendas da ambulante Rosilene da Silva Assis, que atua no entorno da praça. “Eu acho que está demorando demais. Como pode essa praça ficar fechada, sendo que Montes Claros nasceu aqui?”, questiona.

A reportagem procurou o secretário de Infraestrutura e Planejamento Urbano e vice-prefeito, Guilherme Augusto Guimarães (PSL), para obter informações sobre as obras e se há previsão de conclusão da intervenção. Mas não houve resposta até o fechamento da edição.
 
PONTO DE ESPERA
Natural de Japonvar, a dona de casa Eredina Ferreira de Aquino vem regularmente a Montes Claros para tratamento de saúde. Ela lamenta o atraso na execução das obras porque, assim como outros pacientes de várias cidades na região, ela espera o veículo do consórcio intermunicipal de saúde na Praça da Matriz.

“Ficou mais difícil porque poucos bancos foram mantidos e a gente não tem sequer como sentar para lanchar com conforto e segurança”, lamenta.

Para a estudante de Psicologia Amanda Ferreira, que passa pelo local praticamente todos os dias, a praça faz muita falta. “Apesar de os painéis que cercam o local estamparem obras de artistas locais, isso não ameniza o fechamento por tanto tempo”.