Há mais de um ano, a Prefeitura de Montes Claros concluiu uma obra iniciada na administração do ex-prefeito Ruy Muniz, no Residencial Monte Sião IV. O Centro de Educação Infantil (Cemei) foi feito para atender, em período integral, 224 crianças de zero a 5 anos.

No dia 8 de novembro de 2018, no site da Secretaria Municipal de Educação, o município já propagava a abertura de inscrição virtual para cadastro de matrículas do ensino infantil desse e de outros quatro conjuntos habitacionais erguidos através do Programa Minha Casa, Minha Vida: Monte Sião I, Monte Sião II, Minas Gerais e Recanto das Pedras.

Na época, a publicidade da prefeitura chegou a admitir a existência de “uma demanda muito grande” nos conjuntos habitacionais do Monte Sião e Village do Lago.

No entanto, a abertura da escola ficou só na propaganda. Mais de um ano se passou e os moradores do Monte Sião IV continuam sem atendimento na educação infantil, apesar de a unidade estar prontinha.

Como O NORTE mostrou em edições da semana passada, os moradores desses conjuntos habitacionais vêm sofrendo com o descaso do poder público municipal. Sem escolas nesses locais, os estudantes têm que se deslocar para bairros vizinhos. E o pior, a pé. Andam até quatro quilômetros para ir e voltar porque a Prefeitura de Montes Claros se nega a fornecer o transporte escolar.

A demora na inauguração do Cemei Monte Sião é, para os moradores, mais uma demonstração do descaso do município para com a comunidade.
 
UNIDADE
O mato avança sobre a obra de R$ 1 milhão, feita com verba viabilizada pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Além de crianças fora da escola, o resultado desse descompasso é um número muito grande de meninos e meninas percorrendo enormes distâncias ou os pais tendo que pagar pelo transporte ou por escolas particulares, mesmo sem condições para isso.

Os residenciais abrigam, em sua maioria, famílias de baixa renda que precisam do serviço ofertado pelo Cemei – espaço que acolhe e educa as crianças em oito horas diárias enquanto os pais trabalham.
 
ESPERA
No final de 2018, Daiane Priscila e o músico Júlio Ramos Fonseca chegaram a fazer a matrícula virtual da filha Ester, de 4 anos, como foi sugerido pela prefeitura. “A expectativa era a de que o Cemei fosse entregue à comunidade. Mas, em seguida, fomos obrigados a levá-la para o Centro Educacional Samuel, no bairro Planalto”, conta Daiane.

Pela escola particular, mesmo conseguindo bolsa de R$ 160, o casal precisa desembolsar R$ 280 por mês. “Fora o transporte”, salienta a mãe. “É uma luta, porque já passou da hora de inaugurar o Centro Infantil”, diz Daiane.

Moradores penalizados
Dona Cleudolice Lopes Vieira, moradora do Conjunto Monte Sião I, não consegue entender como a Prefeitura de Montes Claros mantém fechada uma obra de R$ 1 milhão enquanto é obrigada a pegar ônibus todos os dias para levar o neto Daivid Cauã, de 5 anos, ao Centro de Convívio Eloim Lopes de Souza, no Bairro Village do Lago.

A avó conta que o menino fica alegre toda vez que passa em frente ao Cemei, na esperança de poder estudar lá. “Mas não é difícil só para meu neto, é difícil para a comunidade inteira”, lamenta.

Comunidade da qual fazem parte Luciana Pereira Rodrigues e Sidnei Alves da Silva, moradores do Monte Sião IV. Com a pequena Taoani Rodrigues, de 2 anos, nos braços, eles acham absurdo que a escola ainda esteja fechada.

“Agora, em 2020, ela teria que cursar o Maternal I. Nossa esperança é que comece a funcionar esse ano, pois faz muito tempo que o prédio foi concluído e está cheio de mato. A hora é agora, porque eu não vou deixar a minha filha na mão dos outros”, diz Luciana.

Procuradas pela reportagem, a Assessoria de Comunicação da Prefeitura e a secretária de Educação, Rejane Veloso, não deram retorno até o fechamento desta edição.
 
PREVISÃO
O vereador Daniel Dias, membro da Comissão de Educação da Câmara de Montes Claros, disse ter a informação de que a administração divulgará as vagas para contratação de professores para atuarem no Cemei do Monte Sião IV.

A exemplo do que ocorreu no final de 2018, o vereador afirma que “a promessa é a de que o Cemei funcione em 2020, ainda que seja para atender apenas o primeiro e segundo anos, que têm prioridade, deixando de matricular as crianças do Maternal 1, 2 e 3”.