Apesar de a mobilidade ser uma das bandeiras da atual gestão, os montes-clarenses esbarram, a todo momento, em barreiras para se deslocar na cidade e, principalmente, na zona rural. O NORTE já mostrou problemas em avenidas e ruas do município, sem sinalização, sem iluminação, rede de drenagem, e em áreas rurais, que sofrem com a queda de pontes e estradas esburacadas. Agora, mais uma comunidade dá o grito para tentar chamar a atenção do prefeito e seus secretários para a insegurança que os moradores vivem.

Em Miralta, parte da ponte que dá acesso ao distrito, vizinho de outros como Vila Nova de Minas, Monte Alto e Mocambo, caiu e coloca em risco a vida dos moradores que não têm uma via alternativa.

“Tem muito movimento de veículos e ônibus que transportam o pessoal de todos os povoados da região. Os usuários ficam com medo de passar porque a ponte não tem guarda-corpo e as tábuas estão todas soltas”, afirma a moradora R.S.. Ela explica que há dois anos, depois de muita reclamação da comunidade, a prefeitura enviou equipe para restaurar a estrutura, mas o serviço não foi concluído. “Vieram aqui, bateram uns pregos e falaram que tinha consertado. Mas não finalizaram o serviço e, depois disso, alguns carros já caíram lá”, conta.
 
ESCOAMENTO
O distrito está a 27 quilômetros de Montes Claros e conta com mais de 300 domicílios. Muitas famílias obtêm o sustento com a comercialização daquilo que produzem nas propriedades. Mas uma das maiores dificuldades apontadas por moradores é a de escoar a produção.

“Passar fome a gente só não passa porque o alimento sai daqui mesmo, mas não temos outra renda. Precisamos vender, precisamos ir à cidade. Queremos estrada, queremos dignidade”, afirma P.S. Para ele, a zona rural foi totalmente abandonada e a sensação é a de não pertencer à cidade de Montes Claros.

“É véspera de eleição e o prefeito fazendo propaganda de obras. Mas onde estão essas obras que a gente aqui não enxerga? Será que não merecemos cuidado porque não moramos nos bairros de luxo da cidade? É uma desumanidade o que o prefeito tem feito com a gente aqui”, reclama.
 
ABANDONO
Júnior Oliveira, que recentemente registrou o descaso de outra ponte localizada na zona rural, é morador de Miralta e lamenta o quadro de abandono desses distritos. “Não bastasse a pandemia, a gente tem que correr risco cada vez que percorre um trecho. Estradas não temos. A zona rural nunca esteve tão largada”.

O vereador Sérgio Pereira (Progressistas), originário de assentamento rural, reforçou as reclamações dos moradores. “Não há interesse do prefeito em atender a zona rural. Para ele, essa população representa incômodo e tem que ficar isolada mesmo. Quase quatro anos e não é agora que ele vai se preocupar, porque está em casa trancado e deixou a prefeitura na mão de assessores. Infelizmente, não existe esperança para o homem do campo. Na época em que a população cobrou o conserto da ponte, ele foi capaz de pedir que eles mesmo custeassem o serviço. Isso não existe em nenhum outro lugar. Dinheiro público é para aplicar em benefício do povo”.

O secretário Municipal de Agricultura, Osmani Barbosa, não atendeu às ligações até o fechamento da edição.