O pesadelo para quem mora na avenida Vicente Guimarães ou no seu entorno, em Montes Claros, não tem fim. Além da poeira provocada pela obra do município no local, os moradores agora têm que conviver com um mau cheiro de esgoto insuportável. Nesse calor infernal dos últimos dias, eles dizem que têm que ficar em casa com as janelas fechadas por causa do fedor e da poeira.

O transtorno provocado pela obra já havia sido mostrado por O NORTE em maio. Naquela ocasião, o então secretário de Infraestrutura, Guilherme Guimarães, agora candidato a vice na chapa de Humberto Souto, foi procurado pela reportagem e afirmou que os diversos transtornos reclamados pelos moradores teriam fim em um prazo de dez dias.

Quatro meses se passaram e os problemas não foram sanados, e até aumentaram, na avaliação de Helena Matos, moradora da avenida Tito Versiani, próxima à Vicente Guimarães, onde se sente os reflexos da situação.

Morando e trabalhando no local, ela percebeu uma baixa de clientes e não foi por causa da pandemia. Para ela, o mau cheiro, aliado à lama e à sujeira, afasta as pessoas.

“O produto que eu vendo tem validade. Não dá para estocar. Eu recebo a mercadoria e tenho um prazo para vender. Com a sujeira na porta da loja, fica difícil o cliente entrar e, quando anima a entrar, não fica muito tempo por causa do odor da região”, lamenta.

Helena conta que os caminhões passam, deixando terra, e não voltam para limpar. “Como havia muita reclamação, eles voltaram algumas vezes e tentaram amenizar, mas agora nem isso acontece mais. Está tudo largado”, afirma.

Para moradores da região, esse é mais um serviço iniciado pela administração municipal e divulgado como a redenção da zona Sul da cidade, mas que só tem gerado dor de cabeça e insatisfação.

“Desde que começaram a mexer aqui, só temos dissabores. Sujam a rua inteira e não voltam para limpar. Esquecem que aqui ao redor moram pessoas que merecem respeito. Passamos o dia inteiro limpando a casa por causa da poeira e as crianças só andam gripadas. Agora, tem esse mau cheiro insuportável que obriga a gente a ficar dentro de casa com as janelas fechadas. O problema está nessa obra”, afirma R.T., moradora da avenida Vicente Guimarães.
 
BURACO
Os moradores também denunciam um buraco entre as duas avenidas, que tem dado dor de cabeça aos motoristas. “Os moradores reclamaram muito, eles vieram aqui e jogaram uma brita, mas não resolveu. Tem uma água escorrendo e virou um lamaçal. Os carros passam com dificuldade. Para fazer pela metade, era melhor não ter mexido”, diz Helena.

Os problemas provocados pela obra na Vicente Guimarães vieram à tona na Câmara Municipal e chegaram a ser abordados por vereadores aliados do prefeito, que jogam a responsabilidade na Copasa.

Questionada sobre a situação, a empresa informou, em nota, que “não foram encontrados registros de reclamações de clientes no serviço de atendimento. A Companhia esclarece que uma equipe de manutenção está no local para verificar a situação e, caso encontre algo de responsabilidade da empresa, tomará as devidas providências”.

Mas, para os moradores, cabe à prefeitura cobrar da empresa que o serviço seja feito de forma adequada. “O município tem que cobrar da empresa. Eles têm um contrato para isso”, disse R.T..

A reportagem procurou o secretário de Planejamento e Infraestrutura Urbana, Vanderlino Silveira, para falar sobre o assunto, mas as ligações não foram atendidas.