Funerárias e cemitérios de Montes Claros sentiram o impacto do aumento de mortes por Covid no município em março. Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde, o crescimento de óbitos somente naquele mês foi de 68,3% em relação ao total de vidas perdidas desde o início da pandemia. A alta demanda pelos serviços não chegou a criar um colapso no setor, mas além da sobrecarga de trabalho as empresas que atuam no ramo enfrentaram problemas como a compra de caixões com preços reajustados em até 100%. 

O mês passado foi considerado crítico em número de pacientes e mortes em várias cidades do país, sendo apontado como o pico da segunda onda da pandemia do coronavírus no Brasil. Para se ter ideia, o boletim da SES de 1º de março de 2021 apontava 291 óbitos em Montes Claros desde o primeiro caso de Covid. No balanço de 1º de abril as mortes já somavam 490, indicando que nos 30 dias anteriores houve 199 falecimentos na cidade, um salto de quase 70%. Vale lembrar que os números do Governo do Estado costumam ser defasados em relação aos da prefeitura, devido ao processo de fornecimento e formatação das informações. Ontem, por exemplo, o quadro da SES apontava 673 mortes por Covid em Montes Claros desde 2020, enquanto o do município já indicava 738. 

Fato é que o crescimento repentino nas mortes transformou a rotina das funerárias e cemitérios. Gerente da Funerária Santa Clara, Marcela Victor chegou a fazer um pedido por urnas extras no último mês. “Desde dezembro começou a surgir um alto número de mortes comparado com os meses anteriores. Em março, bateu o recorde e não esperávamos por isso. Mesmo com certo estoque, fizemos pedidos temendo que continuassem altos os óbitos nos meses seguintes, mas o que notamos foi uma queda de quase 50% em abril”, diz.

O preço da urna teve aumento de 100%, devido à dificuldade dos fornecedores em garantir a entrega para os próximos meses, em decorrência da alta demanda no país e pela falta de matéria-prima.

O serviço funerário também sofreu restrições. “Os velórios, que eram realizados durante toda a noite, cultura no Norte do Estado, passaram a não acontecer assim para que não houvesse aglomeração”, afirma Reginaldo Victor, proprietário da Funerária Santa Clara. 

O lanche para as famílias foi vetado, cabendo aos presentes levar a própria água e ir até um local reservado para comer. 

A empresa também presta o serviço de remoção para óbitos de Covid, procedimento em que a funerária vai até o hospital, coloca o corpo em um saco lacrado e o transfere para o caixão. “É um momento delicado. É triste ver familiares querendo se despedir, ver a pessoa pela última vez, e não podermos abrir a urna”, explica Reginaldo.

O Cemitério Parque dos Montes teve um aumento de 179% na demanda em março, chegando a 13 sepultamentos em um só dia. De acordo com o gerente do cemitério, João Victor Alves, foi preparada uma estratégia para atender as famílias, seguindo o protocolo sanitário. 

“Os sepultamentos são realizados cumprindo as exigências legais do município, com higienização do local e uso de equipamento de proteção. Também são limitados a 20 pessoas, conforme o decreto municipal”, diz. “Nosso papel é trabalhar de forma humana e harmônica neste último momento”.