O número de mulheres vítimas de violência sexual em Montes Claros cresceu 31%, de janeiro a outubro deste ano, se comparado ao mesmo período de 2018. Foram 208 registros neste ano, contra 143 no ano passado. Dessas vítimas, a maioria (62%) são pardas ou negras, outras 23% não informaram e 15% são brancas. 

De acordo com o levantamento da Polícia Civil, no Norte de Minas, levando em conta as 77 cidades que estão sob responsabilidade do 11º Departamento de Polícia Civil de Montes Claros, de janeiro a outubro deste ano, foram 666 casos na região, com 66% de vítimas pardas ou negras, 20% não informadas e 14% brancas. 

Segundo a Polícia Civil, o campo cor e raça não é obrigatório no preenchimento do boletim e, em alguns casos, o policial não informa.

Comemorado neste 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra motiva várias reflexões sobre a violência contra o negro no país.

De acordo com Eliisabel Rodrigues, membro do Conselho Municipal de Igualdade Racial, a mulher acaba sofrendo duas vezes. “Somos discriminadas por sermos mulheres e por sermos negras. A violência, em nível nacional, não é diferente aqui. A região é o reflexo disso. Mesmo com a (Lei) Maria da Penha, para defender as mulheres, a aplicabilidade deixa a desejar. Claro que tivemos avanços nos últimos anos, mas ainda temos muito o que discutir. Um sinal positivo é que o grau de escolaridade dos negros cresceu bastante nos últimos anos, mas ainda tem muita discriminação, que vem de um preconceito velado”, afirma Eliisabel. 
 
AUMENTO
Coordenadora do Núcleo da Defesa da Mulher de Montes Claros, a defensora pública Maiza Rodrigues explica que, quando uma mulher é violentada, tanto ela quanto a sociedade sofrem inúmeros danos.

“Existe esse aumento realmente e é lamentável. Preocupa. E acredito que vamos resolver isso apenas com educação, com prevenção nas escolas, para acabar com essa cultura que desvaloriza o papel da mulher e codifica seu corpo”, disse a defensora. 

Maiza lembra ainda que é preciso estimular a denúncia pelas vítimas para evitar que outras mulheres sofram violência. 

“A denúncia é importante, é preciso estimulá-la. E ainda faltam políticas públicas para isso. É preciso ter mais profissionais capacitados a atender essas vítimas de forma digna e respeitosa”, alerta.