Mais de 300 pais de alunos e representantes de escolas de Montes Claros se mobilizam para pleitear o retorno seguro das atividades. O grupo vem praticando diversas ações como carreatas, pedidos judiciais, colocação de outdoors em pontos estratégicos da cidade em busca de uma resposta do município. Mas, até o momento, a prefeitura não se pronunciou sobre o assunto.

“Fizemos uma carreata onde oficiamos tanto a Secretaria de Saúde quanto a Procuradoria do Município sobre a necessidade de nos ouvir. Com o silêncio da prefeitura, o início de outro ano letivo se aproximando e a necessidade de fazer as matrículas, estamos sem rumo”, diz a advogada Aline Bastos, uma das mães que integra o movimento.

Mãe de dois filhos, de 16 e 6 anos, ela quer a possibilidade de escolher se encaminha ou não os filhos, assim como os demais envolvidos. Para Aline, há um prejuízo no aprendizado e alguns só conseguirão recuperá-lo a partir desta alternativa. Esse é o caso do filho da advogada, que está se preparando para enfrentar o vestibular e pede para voltar a frequentar as aulas.

“Estamos lutando pela possibilidade do ensino híbrido. Se o município não tem condição de atender totalmente o presencial, se as escolas municipais não estão preparadas, embora eles tenham tido nove meses para se preparar, que eles deem oportunidade às escolas particulares de mostrarem que estão aptas a receber os alunos. Precisamos de um posicionamento do prefeito e ele até agora não veio a público falar. Isso nos revolta e nos dá uma sensação de impotência e incerteza do que virá”, afirma Aline, acrescentando que os que estão lutando representam também aqueles que não têm voz.

“Somos a voz dos oprimidos. A voz daqueles pais que não têm condição de gritar, daqueles pais que não têm condição de levar seu filho para a creche e está levando para o trabalho ou colocando na garupa de uma moto para não perder o emprego”, reforça.
 
PLANO DE RETORNO
De acordo com a nota encaminhada à reportagem pelo presidente do Sindicato das Escolas Particulares (Sinepe), Élio Soares, a entidade elaborou um plano de retorno das atividades presenciais. “Isso deve ser feito de forma gradual e segura, respeitando todos os protocolos de segurança e prevenção, as características de distanciamento que o cenário atual impõe, bem como a decisão do próprio aluno maior de idade e das famílias dos demais menores”, ressalta.

O procurador do Município, Otávio Rocha, não atendeu às ligações até o fechamento da edição. A secretária de Saúde, Dulce Pimenta, que disponibiliza informações ao Executivo para elaboração dos decretos municipais, também não foi encontrada para falar sobre o assunto. A secretária de Educação, Rejane Veloso, procurada pela reportagem, não retornou o contato até o fechamento da edição.

Rede com mais de 68 mil alunos
A rede particular de educação do Norte de Minas atende cerca de 68.500 alunos. São 4.485 crianças em creches, 6.033 alunos na educação infantil, 18.996 no ensino fundamental, 4.597 ensino médio, 3.796 alunos em cursos técnicos, 1.383 na Educação de Jovens e Adultos (EJA), 1.948 no ensino especial e 27.292 alunos do ensino superior, conforme censo divulgado pelo Inep.

Em Montes Claros são 36.709 alunos (53,57%), com 1.499 crianças em creches, 2.918 alunos na Educação Infantil, 8.810 alunos no Ensino Fundamental, 2.762 alunos no Ensino Médio, 1.708 alunos em cursos técnicos, 209 alunos na Educação de Jovens e Adultos (EJA), 537 alunos no ensino especial e 18.266 alunos do Ensino Superior, de acordo com informações do Sindicato, que ressalta o caráter seguro e convivência saudável no ambiente escolar.