Pais e proprietários de berçários de Montes Claros estão mobilizados para uma carreata que acontece neste sábado, a partir das 10h, com saída do bairro Ibituruna. O movimento busca sensibilizar as autoridades municipais para autorizar o funcionamento dos espaços.

O segmento quer entender os critérios utilizados pela prefeitura na escolha do que pode ou não funcionar nesse período de pandemia.

Os berçários, que não são classificados como escola, servem como apoio para muitos pais que tiveram que retornar ao trabalho presencial e não têm onde deixar as crianças. É o caso de Bruna Fialho, mãe de Melissa, que aos 2 anos tem o berçário como segundo lar.

“Ela está estressada porque tem que ficar em casa o tempo todo e sente falta do lugar. Meu emprego está em risco, porque desde que retornei ao trabalho presencial, não tenho mais onde deixar a minha filha. E o pior é que terei que arriscar colocando uma pessoa em casa para ficar com ela, enquanto no berçário eu posso acompanhar pelas câmeras em tempo real a rotina da minha filha. Não sei mais o que fazer e não entendo esses decretos sem coerência”, diz Bruna.

Na outra ponta da história, Bruna Lopes, dona de um berçário, também questiona o posicionamento do prefeito e relata o descaso que vem sofrendo por parte dos representantes do município. Depois de três meses de portas fechadas, ela buscou a prefeitura para retomar as atividades, munida de acompanhamento jurídico, sob o argumento de que o espaço não é uma escola e atende crianças de 4 meses a 4 anos de idade.

Muitos pais já haviam retornado ao serviço e buscavam o apoio da empresária. Depois de conseguir negociar o aluguel da casa onde mantém o berçário, ela recebeu a visita da Secretaria Municipal de Educação e a confirmação de que poderia funcionar.

Ao retomar o funcionamento do espaço, foi surpreendida com uma multa no valor de R$ 375. Ela recorreu na prefeitura, mas o processo, cuja resposta deveria acontecer em 15 dias, não andou. Antes mesmo de ter a situação analisada, Bruna foi visitada novamente, desta vez pela Vigilância Sanitária, que não chegou a fazer a vistoria, mas, mesmo assim, emitiu outra multa.

“Queriam que eu assinasse um papel dizendo que eu estava descumprindo o decreto. Ameaçaram me suspender. Como nós temos câmera, meu advogado disse à pessoa que esteve no local que poderia provar que a vistoria não havia sido feita, então, eles recuaram. Em seguida, mandaram a Guarda Municipal me multar com base em dois decretos: “horário de cultos e capacidade de pessoas dentro do culto” e outra correspondente ao que aplicam em bares e restaurantes por ultrapassarem o horário de funcionamento, ou seja, eles não sabem nem o que estão fazendo, o que importa é multar, mesmo que não exista a situação”, reclama Bruna.

A proprietária entrou com mandado de segurança e, enquanto a situação não é resolvida, foi obrigada a fechar com urgência o estabelecimento. “Em quatro meses de funcionamento, não tivemos uma única notificação de Covid. Nossos colaboradores são testados, usam máscara, proteção nos pés e álcool o tempo todo. Diminuímos de 45 para 26 crianças. Temos áreas abertas, salas e cadeiras de alimentação higienizadas, fizemos sanitização, proibimos a entrada dos pais para que não pisem no local com o calçado que usam lá fora e investimos em todos os cuidados para manter o local funcionando. Disponibilizamos aos pais as câmeras, para que eles acompanhem o dia a dia dos filhos. Sou mãe e sei o quanto isso é importante. Não entendo como eles abrem a cidade quase toda e, ao mesmo tempo, negam às famílias o direito de ter um local para deixar os filhos”, lamenta.

A reportagem tentou contato com o procurador do Município, Otávio Rocha, mas ele não retornou até o fechamento da edição.