Um projeto que envolve diversas padarias em Montes Claros e no Norte de Minas pode ser aliado na educação ambiental e contribuir para a alimentação de famílias e pessoas atendidas por instituições.

O “Pão Sustentável” estimula a troca de óleo de cozinha usado, normalmente descartado de forma inadequada no meio ambiente, por pães. A ação é uma iniciativa da Associação de Padarias com Excelência em Panificação (Padepan), que reúne 15 empresas do ramo.

“A pessoa pode juntar o óleo de cozinha usado em uma garrafa PET e, quando estiver cheia, levar em qualquer uma das padarias credenciadas para fazer a troca. Uma garrafa PET de um litro corresponde a um litro de óleo e vale a troca por quatro pães”, explica o vice-presidente da Padepan, Jair Moura.

Segundo ele, quem conseguir levar mais óleo ganha mais pães: um litro e meio vale seis pães e dois litros valem oito pães.

“É um ganho para os dois lados e as pessoas podem doar este óleo também às instituições, que farão a troca conosco”, afirma Jair.

Ele explica que o projeto nasceu com o objetivo de ajudar a retirar o óleo do sistema de saneamento e da natureza. A empresa que recolhe o produto nas padarias paga R$ 1,20 por litro e o pão francês custa, em média, R$0,80. 

“Ou seja, não existe lucro. É uma ação positiva e estamos todos empenhados em fazer nossa parte para um mundo melhor. A nossa principal matéria-prima, por exemplo, é o trigo. O descarte irregular compromete o solo e causa grandes danos. Os próprios estabelecimentos têm uma grande quantidade de óleo de cozinha para descartar”, afirma.

Segundo Jair, o óleo vendido pelas padarias era normalmente usado para fazer sabão. “Mas percebemos que a Biodiesel recebia esse óleo. Fizemos parceria com uma empresa que recolhe semanalmente o que é acumulado. As pessoas estão aderindo e já arrecadamos um volume expressivo”, diz o vice-presidente da Padepan.

Cliente de uma das padarias participantes do projeto, Simone Castanho destaca que esse tipo de ação é de grande importância. “Qualquer projeto que venha somar na questão ambiental é de suma importância. Os empresários têm que fazer a parte social e os consumidores também. Pretendo aderir ao projeto”, afirma.
  
IMPACTOS
Um litro de óleo pode contaminar até 25 mil litros de água. O alerta é feito pela química Vanessa de Andrade Royo, doutora em produtos naturais e sintéticos. Por isso, é muito importante fazer o descarte adequado do produto.

“Os danos podem ser muito altos. O resíduo provoca a impermeabilização do solo, impede a infiltração de água, por exemplo, destrói a vegetação e acaba aumentando as enchentes, além de provocar mau cheiro próximo ao local onde foi descartado”, explica a especialista.

O impacto se estende ainda à rede de esgoto, quando jogado nos bueiros, pias e sanitários. “O óleo acaba solidificando, fica grudado nas tubulações e causa entupimento. Vaza esgoto, dá mau cheiro e isso acaba voltando para as residências”, afirma Vanessa. 

Ela acrescenta que a água dos rios também sofre com os danos. “O descarte não deve acontecer de maneira nenhuma. O óleo deve ser filtrado para tirar os resíduos de comida, deixar esfriar e armazenar em garrafa PET para então ser levado a ONGs”, pontua.

Participantes do projeto:
Padaria Marrom Glacê, All Time, Grão de Trigo, Padaria Pão Gostoso, Bela Massa, Panificadora Avenida, Padaria Luma, Salvador Pães e Massas, Padaria Santana, Pão Sabor Vivo (Janaúba), Paladar (Salinas), Casa dos Pães (Januária)