Se por um lado a obra da avenida Vicente Guimarães pode trazer um alento para quem mora às margens da via, por outro, provoca muita dor de cabeça a motoristas e a quem vive nas ruas adjacentes do bairro Augusta Mota. Estes não têm o que comemorar. O transtorno provocado pela demora na entrega da intervenção pesa no bolso e coloca em risco a vida de motoristas, que fazem verdadeiros malabarismos para não caírem nos buracos.

“Quando está chovendo, os buracos ficam cobertos pela água e, quem não conhece o local, não sabe localizar as crateras e acaba caindo dentro delas. E quando está com sol, a possibilidade de bater de frente em outro veículo é real, porque ninguém quer jogar o carro no buraco. A rua é estreita, não suporta mão dupla e não tem placas indicativas. Eles deveriam facilitar e não complicar o dia a dia das pessoas”, alerta a funcionária pública Simara Ruas.

Moradora de uma das ruas transversais à Vicente Guimarães, ela reclama do prejuízo no bolso e declara que não encontrou respostas na prefeitura. “Preciso sair de casa para trabalhar e não há dinheiro que seja suficiente para fazer conserto. Empenei a roda do meu carro e paguei caro por isso. Pensei em procurar o Ministério Público, porque já fui atrás e não encontro ninguém que me dê uma resposta. Não temos nem expectativa para o fim desses problemas. A prefeitura não emite comunicado, não respeita os moradores”, reclama Simara.
 
CONFUSÃO
Assim como ela, o administrador C.J. atribui a confusão no trânsito principalmente à ausência de sinalização no entorno da avenida. “Está tudo embaralhado. Fecharam os acessos na região do heliponto em julho. Todo o trânsito passa pela rua Noé e cai na rua Raul Correia, que tem engarrafamentos constantemente. Não há placas e não há nada que indique a entrega da obra, ou seja, até quando vamos suportar essa situação?”, questiona o administrador, que mora no Major Prates e constantemente passa pelo local. Ele acredita que a obra não passou pelo teste de vazão e avalia que, quando o asfalto estiver pronto, há possibilidade de não suportar o volume de água.

“Vejo máquinas paradas no local há dias. Prometeram fazer dois canais para dar vazão e só fizeram um. Ou seja, essa chuva que deu não é suficiente para servir como teste dessa obra. Então não sabemos mais quanto tempo isso vai durar e quando é que vão reabrir o acesso principal”, diz.

O aposentado A.B.N., morador da rua Joao Vilela, acrescenta que já flagrou diversos abusos cometidos pelos agentes de trânsito da MCTrans, que ao invés de orientar e educar, permanecem no local apenas para multar os motoristas. “Se fizeram um desvio, que então deem assistência onde passamos. É uma falta de respeito e cuidado. Os guardas estão se aproveitando da bagunça provocada por eles mesmos e pela falta de placas e semáforos para multar os carros e arrecadar”, avalia.

O secretário de Planejamento e Infraestrutura Urbana, Vanderlino Silveira, não atendeu às ligações até o fechamento da edição. O presidente da MCTrans também não foi encontrado no órgão para falar sobre a previsão de reabertura da avenida.