Após quase dois anos fora das feiras dos bairros, os artesãos de Montes Claros estão de volta aos pontos de venda e já se movimentam para recuperar o prejuízo acumulado em todo esse período longe dos clientes.

A autorização para que possam novamente atuar nas feiras livres veio com o Decreto nº 4.320, publicado pela Prefeitura de Montes Claros. O documento, datado do último fim de semana, autoriza a comercialização de qualquer tipo de produto nas feiras de bairros. As medidas são válidas até 30 de novembro.

“Como todo empreendedor independente que sofreu nesta pandemia, nós também sofremos. Fomos excluídos desde o início, sem poder expor o nosso trabalho. A arte nossa é também cultura de Montes Claros”, afirma uma artesã que pediu para que não fosse identificada.

Ela ressalta que a categoria estava sem entender os motivos de o município deixá-los tanto tempo de fora da flexibilização. “Mas, graças a Deus, agora no Natal vamos poder vender”, comemora.

Ela garante que as medidas de segurança estabelecidas no decreto serão cumpridas com rigor. “Claro que vamos voltar cumprindo tudo o que exige o decreto. O prazer de trabalhar com nossas mãos, que é nossa ferramenta, traz um alívio. Tudo é feito com muita delicadeza, manualmente. E saber que a maioria da população está vacinada e que estamos voltando com mais segurança, dá tranquilidade”, diz a artesã, que retorna hoje à feira do bairro São José.
 
MATRIZ
A coordenadora da Feira de Artes e Artesanato da Matriz, Fátima Xavier, diz que os artesãos terão uma reunião na próxima semana para definir quantos e quais voltarão, pois muitos desistiram da feira.

“Vamos discutir principalmente sobre a Feira de Natal, que costuma funcionar de cinco a oito dias próximo à data festiva e durante todo o dia. Chegamos a ter até 300 artesãos inscritos, mas esse número já havia diminuído. Com a pandemia, alguns ainda têm medo, mas a feira é imprescindível e funciona muito como uma vitrine para cada um mostrar o que tem e para atender especialmente a quem vem de fora e sabe que a gente está ali, preparado para recebê-los”, diz Fátima.

A reunião servirá também para reforçar com os feirantes a necessidade de cumprimento dos protocolos de segurança para não haver retrocesso.

“Como continua a proibição de consumir alimentos no local, vamos orientar para que aqueles que tiverem estes produtos levem embalados para a pessoa comprar e levar para casa. Cada um deverá levar o seu álcool e ter apenas uma pessoa na barraca. Vamos cumprir o que pede o decreto”, afirma.
 
DIGNIDADE
Coordenador das barracas de hortifrúti dos produtores da região do Pentáurea (Aspropen), Geraldo Élcio lembra que o setor já estava autorizado a trabalhar há mais tempo, mas comemorou a volta dos artesãos.

“Eu achei que trouxe dignidade às pessoas. Todos eles estavam esperando por este decreto. É uma esperança para recuperar o prejuízo”, diz.

O procurador Municipal, Otávio Rocha, foi procurado para falar sobre o decreto, mas até o fechamento da edição não retornou.

Chuvas atrapalham feirantes
Nem todos os produtores que integram a Aspropen conseguiram voltar às feiras livres em Montes Claros. Segundo Geraldo Élcio, coordenador das barracas de hortifrúti, alguns têm esbarrado nas condições climáticas. “A chuva tem impedido as colheitas. Folhas como alface americana, tomates, morangos e outros são afetados pelas chuvas. Eles sumiram do mapa. Na cidade não existe o hábito de cultivar em túneis ou estufas. Estamos tentando mostrar aos produtores a necessidade disso, para terem o produto tanto na seca quanto nas chuvas”.