A chegada da variante Ômicron ao país – dois casos foram identificados em São Paulo – e a constatação de um possível registro em Minas aumentam a preocupação para o risco de uma nova onda de casos de Covid-19. 

Com alta capacidade de transmissão, a variante do coronavírus pode sofrer mais de 30 mutações e até colocar em xeque a eficácia das vacinas contra a doença, conforme alerta da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Neste momento, reforçar – e o mais importante: não abandonar – as medidas de proteção é a aposta para conter a propagação da cepa, defendem especialistas.

O alerta é para que os municípios não flexibilizem o uso da máscara – como vem acontecendo em cidades como Ipatinga, no Vale do Aço; Patos de Minas, no Alto Paranaíba; e Sete Lagoas, na região Central do Estado.

Para os infectologistas, a decisão de derrubar o uso do equipamento de proteção individual (EPI), até mesmo em áreas abertas, é precipitada. “É precoce suspender as medidas quando ainda há transmissão comunitária (do vírus) significativa”, enfatiza o infectologista Adelino Melo Freire Júnior, diretor médico do Instituto de Medicina de Precisão Target.

No Norte de Minas ainda não houve tal decisão e a chegada da nova cepa deve frear qualquer iniciativa nesse sentido. A infectologista Cláudia Biscotto enfatiza que ainda não se pode relaxar na prevenção. 

“Continua sendo obrigatório o uso de máscara, tanto por meio do decreto municipal quanto o estadual. A variante nova está aí. Não é hora de baixar a guarda”, orienta.
 
TUDO COMO ESTÁ
“Vamos manter tudo como está, devido à queda brusca nos casos positivos na cidade e o avanço da vacinação”, diz o prefeito de Francisco Sá, Mário Osvaldo Casasanta (Avante). “A exigência da máscara continua sendo cobrada nos espaços públicos e privados”, complementa o prefeito.

Em Pirapora, a administração municipal achou prudente interromper comemorações e reforçar a necessidade do uso da máscara. “Não há possibilidade de liberar o uso da máscara, nem mesmo ao ar livre. Aqui seguimos com as recomendações de uso da máscara em qualquer lugar”, afirma Rafael Lana, secretário Municipal de Saúde. 

A cidade também vai cancelar as festas de fim de ano e o Carnaval. “Ainda não sabemos o impacto dessa variante no mundo e no nosso território”, alerta Rafael. Pirapora tem um dos carnavais mais tradicionais da região e do Estado.

ALERTA
Em Coração de Jesus, a prefeitura divulgou um alerta à população para que redobre os cuidados básicos de prevenção e vacine-se, afirma o secretário Municipal de Saúde, Guilherme Leal. Permanece obrigatório o uso de máscara e, de acordo com o último decreto, o descumprimento das regras implica em sanções penais, civil e administrativa.
 
SEM PROTEÇÃO
Embora o uso da máscara seja obrigatório em Montes Claros, virou rotina a circulação de pessoas que abrem mão do equipamento de proteção ou usam de maneira errada – principalmente no queixo.

De acordo com a Guarda Municipal, o trabalho é feito no sentido de orientar as pessoas para que adotem as medidas preventivas. “Infelizmente, nem sempre as pessoas têm consciência e colocam em risco não só a vida delas, mas de parentes”, lamenta o secretário da Guarda Municipal, Anderson Chaves.

Segundo ele, nos espaços fechados, os proprietários são responsabilizados e podem sofrer as penalidades estabelecidas nos decretos caso não exijam o uso da máscara pelos clientes e funcionários.

“Temos fiscalizado porque há previsão de notificação e multas aos estabelecimentos. Contamos com o bom senso, a educação e o respeito das pessoas para coibir o avanço da Covid”, diz.
 
BARREIRAS 
Para tentar frear a chegada da Ômicron, o Brasil fechou, desde segunda-feira, a fronteira aérea para seis países da África do Sul, onde a variante foi reportada pela primeira vez.

Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Saúde informou ter sido comunicada pelo governo federal sobre a variante. 

O infectologista Adelino Melo reforça que a aposta mais eficaz para impedir a mutação do vírus é reduzindo a circulação dele. Aliado ao uso das máscaras, o infectologista afirma que a vacinação contra a Covid-19 é fundamental, mesmo que ainda não existam estudos sobre o impacto da nova cepa na eficácia dos imunizantes.

Resultado até sexta-feira
Amostra de exame da mulher que passou pelo Congo e está internada com Covid-19 em Belo Horizonte desde o último domingo (28) está em análise na Fundação Ezequiel Dias (Funed), que planeja entregar o resultado da avaliação até esta sexta-feira (3). Por ter passado pelo continente africano, local de descoberta da variante Ômicron, existe a suspeita de que a paciente tenha contraído a nova cepa do coronavírus.

A Funed afirma que recebeu a amostra no fim da tarde de segunda-feira (29) e que o prazo padrão para sequenciamento é de sete dias. No entanto, como se trata de um caso importante, a análise será feita em tempo menor. A paciente passou pelo Congo, na África Central, depois pela Turquia, na Europa, e desembarcou em Belo Horizonte no último dia 20, após escala em São Paulo. Ela não foi imunizada contra o coronavírus.