O aumento de casos de Covid-19 entre os mais jovens em Montes Claros, fenômeno que já havia sido apontado pela Secretaria Municipal de Saúde e mostrado por O NORTE, tem como uma das causas a chegada de uma nova cepa do coronavírus à cidade. 

A confirmação da presença da cepa P1 da Covid-19 entre os montes-clarenses foi feita neste fim de semana pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio de Janeiro. 

Essa linhagem do novo coronavírus foi identificada pela primeira vez em Manaus, e apresenta alto índice de transmissibilidade. Ela também já teve circulação comprovada em Belo Horizonte, onde foram verificadas outras duas variantes, surgidas no Reino Unido e no Rio de Janeiro. 

A mudança no perfil dos infectados e até de mortes chamou a atenção do município, que enviou as amostras de exames para a Fiocruz. Segundo a secretária Municipal de Saúde, Dulce Pimenta, em dez dias, os óbitos em razão da Covid subiram de 3,8% para 5% entre adultos de 30 a 39 anos.

Na faixa etária de 40 a 59 anos, a mortalidade foi de 18% para 18,5% no mesmo período. Já entre os acima de 60 anos, houve uma pequena redução no número de óbitos, de 76,4% para 75,1%.

“Observamos mudança no perfil dos pacientes que estavam sendo internados. Eram mais novos, com média de 30 anos, sem comorbidades. E passamos a registrar uma velocidade de transmissão muito grande, com Rt de 1,26”, explica a secretária.

As amostras analisadas foram colhidas no final de janeiro. Antes mesmo de receber o resultado da avaliação, aponta Dulce Pimenta, o município decidiu se fechar, para aumentar o isolamento social.
 
MÉDIA DE MORTES
Segundo Dulce Pimenta, Montes Claros vive a quinta semana consecutiva de aumento da média de mortes por Covid, com número grande de infectados, taxa de ocupação de UTI e de leitos clínicos acima de 100%, pacientes graves na UPA e no hospital de campanha, unidades básicas de saúde funcionando com plantões médicos e sala vermelha.

“Em 19 dias deste mês de março, registramos um incremento de 125% na incidência de casos de Covid-19. Nesse período, foram 128 mortes e 4.672 casos confirmados”, conta. O município registra 445 óbitos pela doença desde o começo da pandemia – 19 foram confirmados nesta segunda-feira. O número de casos positivos saltou para 23.916, com 368 novas confirmações ontem.

Os picos anteriores haviam sido registrados em agosto do ano passado, com 57 óbitos e 3.465 casos ao longo dos 30 dias do mês, e em setembro, quando morreram 55 pessoas e foram registradas 3.109 contaminações pelo novo coronavírus na cidade.

‘Precisamos levar mais a sério a prevenção’
Aos 38 anos, o advogado Nestor Rodrigues encorpa as estatísticas de aumento de casos entre os mais jovens em Montes Claros. Depois de seis dias do diagnóstico positivo, ele viu o quadro clínico piorar e teve que ser hospitalizado. Nestor ficou internado por sete dias e com o temor da intubação rondando o tempo todo. 

“Ao ser confirmado meu teste, fiquei muito preocupado, dado o momento de extrema dificuldade hospitalar, com todos cheios. Busquei atender as orientações médicas, como isolamento e medicamentos. Passados seis dias, minha situação piorou, com a saturação chegando a 82, o que me levou a ficar sete dias internado na UTI do Hospital das Clínicas Mário Ribeiro”, conta o advogado.

“Tive um atendimento de excelência no hospital e com o apoio dos amigos e familiares eu venci a Covid. Este apoio foi primordial no meu tratamento na UTI. Hoje vejo que precisamos levar ainda mais a sério as medidas de prevenção. A Covid é real e mata, independentemente de classe social e idade. Passei por um momento de extrema reflexão, em que pude perceber que o importante é viver dia após dia e aproveitar cada segundo. É um vírus mortal e extremamente agressivo. Não podemos achar que estamos imunes”, alerta o advogado.

*Com Luisana Gontijo