Montes Claros está novamente sob risco de epidemia de dengue em 2020. O primeiro Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LirAa) apontou uma taxa de infestação de 10,3% – dez vezes maior que o 1% considerado seguro pelo Ministério da Saúde. Isso significa que, a cada cem casas vistoriadas, pelo menos dez tinham focos do mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika.

Os dados foram divulgados pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), que visitou quase 9 mil domicílios entre os dias 6 e 8 de janeiro. O índice acende o alerta vermelho em Montes Claros, pois é quase o dobro do registrado em janeiro de 2019, que apontou 5,9% de infestação e também demonstrava um ano com risco epidêmico. Situação que se confirmou.

Até 17 de dezembro de 2019, o município notificou 8.327 casos prováveis de dengue, o que dá uma média de quase 700 por mês. Recorde desde que o acompanhamento por municípios em Minas começou, em 2016. Naquele ano, considerado o da pior epidemia no Estado, Montes Claros registrou 2.211 ocorrências de dengue.

Com os números de 2019, Montes Claros foi classificada, pela Secretaria de Estado de Saúde, como cidade com muito alto risco de surto de dengue – o mais alto nível de incidência da doença em 2019.

A situação em 2020, portanto, é de alerta para uma possível epidemia de dengue e outras doenças causadas pelo Aedes aegypti. De acordo com o CCZ e a Secretaria Estadual de Saúde, ainda não está definido um plano de combate, que deve ser elaborado nos próximos dias.
 
FOCOS
Mais uma vez, o LirAa de Montes Claros mostra que os locais com maior incidência de criadouros do Aedes são os depósitos para armazenamento de água ao nível do solo (caixas d’água nível do solo, tambores, tonéis e tinas). Nesses locais foram encontrados 45,4% do total dos focos.

Um dos motivos apontados pelo CCZ para o alto índice nesses pontos é o racionamento pelo qual passa a cidade. Muitos moradores acabam estocando água em recipientes sem a devida vedação, abrindo as portas para a proliferação do mosquito. 

Depósitos móveis, como vasos, frascos com plantas, pingadeiras, recipientes de degelo de geladeiras, bebedouros e objetos religiosos representaram 29,6% dos criadouros. Depósitos fixos, como tanque de alvenaria em obras, borracharias, hortas, calhas e lajes, sanitários em desuso, caixas de passagens (ralos e canaletas) e peças arquitetônicas somaram 13,3%. Lixo, recipientes plásticos e garrafas eram o abrigo das larvas em 6,9% dos casos. Pneus representaram 2,9%.

Bairros com maior incidência
Maria Cândida (38,4%)
Village do Lago II (33,3%)
Vila Regina I (33,3%)
Maracanã I (31,6%)
Monte Sião (28,9%)
Vila Itatiaia (26,9%)
Barcelona Parque (26,6%)
Vila Atlântida (25%)
Vila Camilo Prates (25%)
Tancredo Neves (25%)
Alto São João II (24,1%)
Alterosa (24%)
Funcionários (21%)
Santa Lúcia I (20,2%)
Planalto II (20%)
Santa Rita II (20%)
Inconfidentes (20%)