A realização de um sonho tão esperado acabou virando pesadelo para moradores do distrito de Miralta, a 30 quilômetros de Montes Claros. Há muito a comunidade pedia o asfaltamento das ruas para melhorar a mobilidade e qualidade de vida de todos. O asfalto chegou e, com ele, a frustração. 

“Está derretendo de tão mal feito que foi. Deve ter no máximo 20 dias que eles estiveram aqui e fizeram isso que chamam de asfalto. A primeira chuva mostrou como foi mal feito. É dinheiro jogado na lama e, o pior, deixou a população esperançosa e depois veio a decepção”, disse o corretor rural Júnior Oliveira Barbosa.

Sem conseguir contato com a Prefeitura de Montes Claros, ele pediu socorro a parlamentares. “Pedi a vereadores que têm intimidade com a zona rural, como o Sérgio Pereira, para interceder aqui. A prefeitura é um lugar difícil de a gente acessar. Foi uma porcaria esse asfalto. É asfalto frio e faltou produto para dar cola. É como fazer uma parede usando só areia e sem cimento. Não dá compactação. Até o pessoal que estava fazendo falou que é um asfalto fraco. Isso é um descaso completo com a zona rural”, afirmou.

O último censo de 2010 registrou uma estimativa de mais de 800 moradores em Miralta. Parte dessa população é constituída de idosos, que precisam circular pelas ruas e, em sua maioria, andam a pé. A situação acendeu o alerta em Junior.

“Eles se sentem inseguros. O asfalto está cheio de buracos e todos sabem o perigo de uma queda para os idosos. Não só eles, mas principalmente eles estão em risco e o prefeito deveria se sensibilizar com isso aqui, já que ele também é idoso”, acrescentou Júnior.

POLUIÇÃO
O corretor destacou ainda outro ponto de descuido da administração municipal com o distrito. “Temos sofrido também com a falta de água. Desde que a Copasa passou a atuar no distrito, começamos a ter problemas. Tinha uma bomba com capacidade maior. Eles fizeram a troca por outra menor e a água não chega. Além disso, o rio, que já estava afetado por uma planta daninha que colocaram lá, vai receber essa brita que era o suposto asfalto e que está escorrendo em direção ao rio. A prefeitura tem que nos dar uma resposta, porque é obrigação do município cobrar da Copasa um bom serviço”, pontuou.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal de Agricultura, que responde pelas demandas da zona rural, mas não teve retorno até o fechamento da edição. A Copasa também não retornou.