Com obras aparentemente concluídas há cerca de dois meses, após três anos danificada nas duas extremidades e colocando pedestres e ciclistas em risco, a ponte da avenida João XXIII volta a chamar a atenção de pessoas que passam diariamente pelo local.

O questionamento é o porquê de a estrutura – que recebia um tráfego diário de 70 mil veículos – ainda não ter sido liberada para a passagem de veículos. 

“Ainda tenho esperança, mas até então só no aguardo. É o coração de Montes Claros, um grande eixo econômico que dá acesso ao centro da cidade, talvez o ponto comercial mais movimentado da região. Se estivesse funcionando, haveria a possibilidade de melhoria no comércio e também para o consumidor”, afirma Rafael Rocha, funcionário de uma loja no entorno da avenida.

Ele ressalta que a interdição prejudica a mobilidade e que, além da finalização da obra, é essencial fazer o recapeamento da via, pois o asfalto está sem manutenção. “Não vai funcionar arrumar só a ponte”, diz o vendedor.

A demora na liberação da ponte, segundo informações que circulam entre servidores municipais, seria resultado de um erro na execução do projeto.

Um desses servidores, que pediu para que não fosse identificado, confirmou a O NORTE que houve erro de cálculo e, por isso, a obra não estaria liberada.

O projeto da ponte da avenida João XXIII foi feito juntamente com o de outras duas estruturas – uma em frente ao Mercado Municipal e outra mais adiante. As três obras foram orçadas em R$ 6 milhões. As outras duas pontes já estão liberadas.
 
ASFALTO
O secretário de Planejamento e Obras de Montes Claros, Guilherme Guimarães, negou que houve erro na execução do serviço e disse que a obra não foi liberada ainda porque é “preciso uma concordância da avenida João XXIII com a ponte para melhorar o fluxo”.

Essa concordância seria a recuperação do asfalto da avenida próximo à obra de arte. De acordo com a prefeitura, está sendo realizado um trabalho no piso da avenida nas proximidades de um supermercado e a previsão de liberação é de cerca de 15 dias, caso não chova.

Guimarães ressalta que a liberação das outras duas pontes já gerou um ganho de tempo para os motoristas que trafegam pela área.

“Era uma ponte com seis movimentos possíveis. Agora serão três pontes para seis movimentos. Não será permitida a conversão à direita nem à esquerda na ponte principal, e os pedestres e ciclistas não terão que ir mais longe”, explica.

O secretário Luan Veríssimo, morador do bairro Santos Reis, lamenta ter que se submeter ao perigo diário para chegar ao trabalho. Ele reclama da ausência de informação sobre o andamento da obra por parte da administração.

“Provoca atraso, traz desconforto e até uma certa raiva. A gente quer um caminho simples, não um trajeto dificultado para fazer todos os dias. Fiquei animado quando começaram a mexer, mas desanimei de novo. Já está pavimentado, poderiam abrir e ter um guarda de trânsito ajudando as pessoas”, afirma o morador.

Luan diz que tem receio de passar pelo local porque é muito movimentado. “Tem uma alternativa por baixo, mas gasta mais tempo e me atraso”, explica. “A prefeitura tem que agilizar o processo e explicar o que aconteceu aqui”.